A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado que seu conselho de administração recebeu um pedido de convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) feito pelo acionista UBS Lumen, representado pela EXA Capital Asset.Segundo o fato relevante divulgado na noite de terça-feira (29), o pedido tem como objetivo deliberar sobre a destituição dos atuais membros do conselho, a fixação do colegiado em sete integrantes, a eleição de novos conselheiros e a adoção dos demais atos necessários para a implementação das deliberações.A companhia disse que tomou conhecimento da solicitação e que, até o momento, a matéria segue em análise, sem decisão do conselho sobre a convocação da assembleia.O movimento adiciona mais um capítulo à sequência de disputas societárias envolvendo a Oncoclínicas, que vem sendo acompanhada de perto pelo mercado em meio a discussões sobre governança e à obrigação de realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), tema que segue no centro das atenções dos acionistas.Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.Outra assembleia no radarNa última semana, a Oncoclínicas informou ao mercado que os fundos Latache IV, Nova Almeida e Latache MHF (fundos da Latache) solicitaram a convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a suspensão do exercício dos direitos do acionista Josephina III até que a obrigação de realizar a oferta pública de aquisição de ações (OPA) seja cumprida.O Josephina III ficaria impedido de votar na deliberação sobre a suspensão de seus próprios direitos.O conselho da companhia avaliou os requisitos para convocação feita pelos fundos Latache, que detêm mais de 5% do capital social, e decidiu pela convocação da assembleia, que ainda está para acontecer.O movimento ocorreu após o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidir pela obrigatoriedade de realização de uma OPA, devido a uma reorganização societária em novembro de 2024, que poderia ter disparado o poison pill, mecanismo que protege os direitos dos acionistas minoritários em caso de mudanças no controle da empresa ao estipular a obrigatoriedade da realização de uma OPA quando um investidor adquire participação acionária igual ou superior a 15%.O imbróglioEm 25 agosto, o colegiado da CVM estipulou o prazo máximo de 60 dias para a realização da oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Oncoclínicas pela gestora norte-americana Centaurus Capital. Poderão participar todos os acionistas que tiverem ações da empresa até a véspera da operação.O valor pago por ação ainda não foi definido, mas deverá passar por correção pela Selic (taxa básica de juros) considerando o dia 4 de novembro de 2024. O preço da oferta deverá ser calculado com base no artigo 39, parágrafo 1º, do estatuto social da Oncoclínicas.As estimativas do mercado são de que a operação chegue a aproximadamente R$ 11,7 bilhões.A Centaurus e o Goldman Sachs defendem uma interpretação diferente sobre a necessidade de uma OPA. Segundo eles, a gestora norte-americana já possuía exposição econômica superior a 15% antes mesmo da abertura de capital da Oncoclínicas, realizada em 2021, por meio de veículos administrados pelo banco.Seguindo essa interpretação, a reorganização de 2024 apenas separou e tornou direta uma participação econômica que já existia, o que enquadraria a operação em uma das exceções previstas no estatuto.A área técnica da CVM concordou inicialmente com esse entendimento e concluiu que a OPA não era necessária. O colegiado, porém, reverteu a decisão.