Trump prepara nova rodada de tarifas, diz jornal

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O governo dos Estados Unidos estuda impor novas tarifas a dezenas de países ainda nesta semana, em um movimento para substituir a tarifa global temporária de 10% sobre importações, cuja validade expira na próxima sexta-feira (24). As informações foram publicadas pelo Financial Times e repercutidas pela Reuters.Segundo o jornal britânico, as novas taxas devem ficar inicialmente em torno dos atuais 10%, mas a Casa Branca também trabalha em investigações comerciais que poderão dar respaldo legal para a adoção de tarifas mais elevadas no futuro.Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump colocou as tarifas no centro de sua estratégia econômica. Após a Suprema Corte dos EUA derrubar parte das amplas tarifas implementadas com base em poderes de emergência, a administração recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para estabelecer uma tarifa temporária de 10% sobre as importações.Para manter as barreiras comerciais em vigor, o governo pretende utilizar a Seção 301 da mesma legislação, que permite impor tarifas em resposta a práticas consideradas discriminatórias ou prejudiciais aos interesses comerciais americanos.De acordo a Bloomberg, a nova ofensiva comercial poderá ser baseada em acusações de que diversos países não combatem adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs tarifas de 10% ou 12,5% sobre importações provenientes de cerca de 60 países, que juntos respondem por praticamente todas as compras externas americanas.O relatório divulgado pelo USTR em junho avaliou se os países investigados possuem restrições formais à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado e se aplicam essas regras de forma efetiva. Segundo o site, o estudo não procurou determinar se esses países efetivamente utilizam trabalho forçado na produção, mas sim se mantêm mecanismos adequados de fiscalização.A Bloomberg destaca que as tarifas variariam de acordo com critérios específicos, incluindo a existência de acordos comerciais com os Estados Unidos. O plano também prevê tratamento diferenciado para determinados produtos têxteis e de vestuário.Países afetados pelas tarifasEntre os alvos das medidas anteriores da Seção 301 está o Brasil. As tarifas aplicadas, que entram em vigor amanhã, somam 25%, embora diversos produtos de consumo, como café e carne bovina, permaneçam isentos.Além da investigação ligada ao trabalho forçado, o governo Trump abriu outro processo para avaliar se 15 países e a União Europeia mantêm capacidade industrial excedente capaz de prejudicar a indústria americana. Entre os países investigados estão China, Índia, Japão, México, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã e Tailândia.Paralelamente, a administração também avança na ampliação das chamadas tarifas setoriais. Após sobretaxas sobre alumínio, automóveis, autopeças, cobre e madeira, a Casa Branca anunciou planos para impor tarifas de até 100% sobre determinados produtos farmacêuticos a partir do fim de julho, com exceções para empresas que tenham firmado acordos com o governo americano e para medicamentos patenteados produzidos em países com acordos comerciais com os EUA.Ontem, o governo norte-americano anunciou uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos canadenses em resposta ao que chamaram de “tratamento discriminatório” do Canadá em relação a carros, bebidas alcoólicas e laticínios dos EUA.