Belo Horizonte – A comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22/7) que a morte da capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, “toca a alma” da corporação e reforçou o compromisso da instituição no enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. A declaração foi dada durante o velório da oficial, realizado na Capela da Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte.O principal suspeito pela morte de Michele é o sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, que foi preso em flagrante por feminicídio.“Nos meus 29 anos de polícia e dois meses, aproximadamente, de comando da instituição, eu aprendi uma coisa: não existe nada mais triste do que a perda de uma mulher. A morte da capitã Michele, de todas as outras mulheres, em virtude da violência doméstica e familiar contra a mulher, nos toca a alma”, afirmou.5 imagensFechar modal.1 de 5Capitã da Polícia Militar de MG Michele Leão AzevedoPMMG/Reprodução2 de 5Sargento leva companheira desacordadaCâmera de segurança/reprodução3 de 5Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordadaCâmera de segurança/reprodução4 de 53º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMGReprodução/redes sociais5 de 5A capitã chegou morta ao hospitalReprodução/PMMGSegundo a comandante, casos como o da capitã reforçam a necessidade de combater um problema que, muitas vezes, permanece oculto.“Ela nos motiva cada vez mais a lutarmos contra esse inimigo, muitas vezes invisível, que assola a nossa sociedade”, disse.Cleide também afirmou que a Polícia Militar seguirá empenhada na proteção das mulheres mineiras.“Toda a nossa humanidade pode continuar acreditando no firme propósito da nossa instituição de proteger todas as famílias, todas as mulheres do estado de Minas Gerais. Esse é o nosso propósito, essa é a nossa missão. Nós não vamos recuar, mesmo diante dos maiores desafios e das maiores dificuldades. Continuem contando com a Polícia Militar”, falou.Família relata histórico de agressõesTambém durante o velório, o tio materno da capitã, Marlon de Carvalho Leão, afirmou que Eduardo Abner “sempre foi muito agressivo” com Michele ao longo dos cerca de oito anos de relacionamento.Segundo ele, a família conhecia o comportamento do sargento e a mãe da capitã enfrentou momentos difíceis por causa do genro.“Várias vezes ele sempre foi muito agressivo com ela. A mãe passou por momentos muito difíceis com ele”, afirmou.Marlon também disse que a família recebeu com alívio a decisão da Justiça de manter o militar preso preventivamente.O casoMichele Leão Azevedo morreu na noite de segunda-feira (20/7), após ser levada já sem vida pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte.Em depoimento, Eduardo Abner afirmou que a esposa caiu de uma escada após o casal consumir bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. A versão, porém, passou a ser contestada pelos médicos e pela Polícia Civil.Segundo a investigação, Michele apresentava traumatismo craniano, diversas lesões pelo corpo, marcas compatíveis com chicotadas e um grave ferimento na face. Os peritos concluíram, inicialmente, que os ferimentos são incompatíveis com uma simples queda.Além disso, policiais militares flagraram o sargento tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy no banheiro do hospital. A droga foi apreendida e ele também passou a responder por tráfico de drogas.A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e apura o histórico do relacionamento. A mãe da capitã afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por humilhações, controle e manipulação emocional, e que tentava se separar do marido. Testemunhas também relataram episódios de violência psicológica e moral.