Uma trabalhadora doméstica de 69 anos foi resgatada, no último dia 14 de julho, em uma residência em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, onde esteve em condições análogas à escravidão por 52 anos.Segundo o MPT-RJ (Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro), foi firmado um acordo para garantir R$ 645 mil à mulher.A força-tarefa para o resgate foi coordenada pelo MPT-RJ, com a participação de auditores-fiscais do trabalho do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e apoio da Polícia Federal, após o recebimento de uma denúncia informando que a trabalhadora estaria sendo submetida a condições análogas à escravidão.Foram realizadas diligências para reunir elementos para fiscalização, como a obtenção de autorização judicial para entrar na residência. Durante a inspeção, a trabalhadora e os empregadores foram ouvidos.As equipes constataram que a vítima trabalhava na residência por mais de cinco décadas e, nesse período, nunca recebeu qualquer tipo de remuneração pelos serviços.A rotina da trabalhadoraSegundo as investigações, a mulher realizava todas as atividades domésticas da casa e foi responsável pelos cuidados do filho da empregadora quando criança. Posteriormente, passou a exercer a função de cuidadora da própria empregadora, atualmente com problemas de saúde.Ao serem questionados, assim como em outros casos semelhantes, os empregadores alegaram que a trabalhadora era considerada “como parte da família”.A mulher, no entanto, nunca teve carteira de trabalho assinada, não possuía plano de saúde, não concluiu os estudos e permaneceu durante décadas privada de direitos trabalhistas básicos. Leia Mais Entenda rotina de mulher resgatada em condições análogas à escravidão Idosa trabalhou 49 anos em regime análogo a escravidão: o que sabemos Entenda como idosa foi explorada por 55 anos em casa de família no CE Medidas tomadasDepois da inspeção, uma audiência administrativa conduzida pela procuradora do Trabalho Tathiane Menezes, responsável pelo caso, junto com o auditor-fiscal, Raul Cappareli Vital, ocasião em que foi firmado um TAC (Termo de Ajuste de Conduta), no dia 15 de julho.O acordo determina que os empregadores paguem R$ 500 mil a título de verbas rescisórias e indenizatórias devidas à trabalhadora. Desse total, R$ 60 mil foram pagos imediatamente.Além disso, devem se compromoter com o pagamento de 60 parcelas mensais de R$ 5.239,65. O recolhimento dos depósitos de FGTS referentes ao período de outubro de 2015 até a data do resgate também foi determinado, em valor a ser apurado.A mulher também receberá pagamento de uma pensão mensal vitalícia correspondente a 75% do salário mínimo vigente, estimada em aproximadamente R$ 145 mil, considerando uma expectativa de vida de dez anos.Assim, o valor total do acordo alcança cerca de R$645 mil, podendo ser superior, conforme o tempo de sobrevida da trabalhadora.A trabalhadora também foi retirada da residência durante a operação de resgate e encontra-se abrigada em local seguro, onde recebe o acolhimento necessário.*Sob supervisão de Rafael Saldanha