Astrônomos podem ter identificado o primeiro registro de um sistema binário em que as duas estrelas integrantes terminaram suas existências em explosões de supernova. A descoberta foi apresentada em estudo publicado na revista Nature Communications nesta terça-feira (21).A pesquisa analisou dois restos de explosões estelares próximos entre si, IC 443, conhecida como Nebulosa da Água-viva, e G189.6+3.3, localizados a cerca de 6 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Gêmeos.Os pesquisadores combinaram dados de diferentes observatórios para avaliar se os dois objetos eram apenas uma coincidência de alinhamento no céu ou se tinham uma origem comum. As evidências indicam que eles podem ter vindo de estrelas que nasceram juntas em um sistema binário.Vestígios de duas mortes estelares ligadasImagem composta da região IC 443 combina diferentes comprimentos de onda com dados de raios gama captados pelo telescópio Fermi. – (Crédito da imagem: NASA Goddard Space Flight Center e M. Michailidis et al. 2026; laranja, marrom: rádio, ESA/Planck e MWISP; amarelo: óptico, DSS; vermelho: infravermelho, NASA/WISE; violeta: ultravioleta, NASA/Swift; azul-petróleo: raios X, SRG/eROSITA; magenta: raios gama, colaboração NASA/DOE/Fermi LAT)O estudo foi conduzido por uma equipe liderada por Miltiadis Michailidis, pesquisador da Universidade de Stanford, que investigou a relação entre a brilhante IC 443 e sua vizinha mais discreta, G189.6+3.3. Durante anos, essa segunda estrutura permaneceu menos evidente por estar próxima de uma das nebulosas mais estudadas da galáxia.Para chegar às conclusões, os cientistas utilizaram mais de 16 anos de observações do telescópio espacial Fermi, da NASA, além de informações obtidas anteriormente em faixas de luz como raios X, rádio, ultravioleta e luz visível.Os dados indicaram que os dois restos de supernova estão interagindo com a mesma nuvem de hidrogênio interestelar. Essa característica sugere que ambos estão próximos no espaço, com os centros das explosões separados por uma distância estimada entre 30 e 50 anos-luz.A equipe calculou que a chance de dois restos de supernova sem relação entre si aparecerem tão próximos seria de aproximadamente uma em mil. Esse resultado reforçou a hipótese de que os objetos tenham surgido de um mesmo sistema de estrelas massivas.Registro em raios gama evidencia a região de IC 443, uma das estruturas mais intensas do céu nesse tipo de radiação. – — Foto: NASA/DOE/Fermi LAT Collaboration.As estimativas apontam que a explosão responsável por G189.6+3.3 ocorreu antes da formação de IC 443. A primeira estrela teria explodido entre 20 mil e 110 mil anos atrás, enquanto a segunda supernova teria acontecido há cerca de 8 mil ou 9 mil anos.Mesmo tendo origem no mesmo sistema, as duas estrelas não precisavam morrer ao mesmo tempo. Estrelas de um par binário podem ter trajetórias evolutivas diferentes, fazendo com que uma delas chegue ao fim da vida milhares de anos antes da outra.Filamento identificado em comprimentos de onda ópticos e ultravioleta revela os limites de G189.6+3.3 e indica que a estrutura corresponde a um remanescente de supernova distinto da IC 443. – — Foto: NASA Goddard e M. Michailidis et al. (2026).Para verificar se esse cenário seria possível, os pesquisadores realizaram simulações com um milhão de sistemas binários. Os resultados mostraram que pares de estrelas massivas podem produzir duas supernovas separadas por dezenas de milhares de anos e ainda deixar rastros próximos no espaço.A descoberta pode ajudar cientistas a compreender melhor como estrelas muito massivas evoluem quando fazem parte de sistemas duplos. Caso a ligação entre IC 443 e G189.6+3.3 seja confirmada por novas observações, o conjunto poderá funcionar como um laboratório natural para estudar o ciclo completo desses sistemas.O post FOTOS: Estrelas gêmeas podem ter explodido como supernovas em caso inédito apareceu primeiro em Olhar Digital.