Uma disputa sobre a titularidade de créditos que lastreiam a 8ª emissão de debêntures da Travessia Securitizadora levou a B3 a identificar “indícios consistentes de cessão em duplicidade” dos ativos.O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro de 2025, sob condução de um liquidante nomeado pelo Banco Central.A identidade do outro participante do mercado que reivindica os créditos não foi divulgada. O BRB, contudo, está entre as instituições que adquiriram do Banco Master carteiras de recebíveis originadas pela Credcesta — produto que também deu origem aos créditos utilizados como lastro da emissão da Travessia. Até o momento, porém, não há indicação de que os contratos objeto da disputa sejam os mesmos adquiridos pelo banco.Na última sexta, foi noticiado que a Quadra Capital e BRB desistiram de conitinuar a negociação de carteiras de crédito herdadas do Master herdadas pelo banco estatal e que somavam mais de R$ 15 bilhões. A Travessia diz que tomou conhecimento, durante reunião com o liquidante, de que determinados contratos vinculados à emissão passaram a ser alvo de uma disputa de titularidade. Em outras palavras, outro participante do mercado afirma ter recebido a cessão dos mesmos créditos utilizados como garantia das debêntures e registrou a operação na CERC, entidade responsável pelo registro de ativos financeiros.Após analisar a documentação apresentada pela securitizadora, a B3 concluiu haver indícios consistentes de cessão em duplicidade da carteira. A Travessia, porém, afirma que seu registro foi realizado antes daquele feito em favor do outro cessionário e, por isso, sustenta que é a legítima titular dos créditos.A companhia informou ainda que procurou a CERC, que teria confirmado a regularidade do registro realizado em seu favor. Também apresentou à B3 contratos e termos de cessão, aditamentos, registros na CERC e relatórios de auditoria independente para comprovar sua titularidade sobre os ativos.Documentos societários mostram que a 8ª emissão de debêntures foi aprovada no fim de 2023 com valor total de até R$ 1 bilhão. A operação foi estruturada com uma única série de debêntures lastreadas em direitos creditórios cedidos pelo Banco Master. A Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários atua como agente fiduciário da emissão, enquanto a PKL One Participações figura como interveniente no contrato de cessão.A PKL One é a controladora da Credcesta, fintech de crédito consignado cujo acionista majoritário é Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A empresa oferece crédito consignado por meio de cartão com desconto em folha para servidores públicos, modalidade que gera recebíveis passíveis de securitização. O valor de R$ 1 bilhão corresponde ao limite aprovado para a emissão e não necessariamente ao montante efetivamente colocado no mercado ou ao saldo atual da carteira de créditos. Não há informação de quantos contratos estão em disputa e o valor dos créditos potencialmente afetados.A Travessia defende que continuará as tratativas com o liquidante do Banco Master, a CERC, a B3 e o Banco Central para regularizar a situação e restabelecer os repasses relacionados aos contratos contestados. A companhia também informou que adotará “todas as medidas cabíveis” para preservar os direitos dos debenturistas e a integridade dos créditos cedidos.O caso adiciona um novo capítulo aos desdobramentos da liquidação extrajudicial do Banco Master. O documento relata indícios apontados pela B3 e informa que a disputa sobre a titularidade dos créditos segue em processo de regularização entre as partes.