Juros elevados impulsionam recuperações extrajudiciais entre empresas

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O pedido de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas chamou a atenção para um movimento que tem se repetido entre grandes empresas brasileiras. Com um cenário cada vez mais marcado de juros elevados, alto nível de alavancagem e crédito mais restrito, companhias de diferentes setores têm recorrido ao mecanismo para renegociar dívidas e ganhar fôlego financeiro.A manutenção dos juros em patamares elevados continua pressionando o caixa das empresas e reduzindo a disponibilidade de crédito para empresas e consumidores. “Os juros altos tornam a vida das empresas cada vez mais difícil. Uma pequena queda na Selic não muda esse cenário, porque o Brasil ainda convive com um dos maiores juros reais do mundo”, explica Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro. O mercado não para e o dinheiro não espera. Assine a newsletter do Resenha do Dinheiro e fique por dentro de tudo que importa para o seu bolso. Basta clicar aqui.A recuperação extrajudicial funciona como uma alternativa para reorganizar o passivo antes que a situação financeira se deteriore ainda mais. Nesse contexto, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, explica que esse tipo de processo permite suspender temporariamente parte das obrigações financeiras enquanto a empresa busca um acordo com seus credores.“Empresas muito alavancadas, que já vinham apresentando resultados mais fracos, muitas vezes precisam de uma reestruturação mais profunda. Durante esse período, os pagamentos aos credores podem ser suspensos enquanto as negociações avançam”, destaca.Apesar disso, Pascowitch ressalta que o desfecho costuma ser incerto e depende da capacidade de recuperação de cada companhia.“É sempre muito imprevisível o que acontece com uma empresa que entra em recuperação, seja judicial ou extrajudicial. Temos exemplos como o da Oi, que permanece há anos nesse processo”, afirma.Além da situação financeira da empresa, o investidor também deve observar o setor em que ela atua, já que alguns segmentos tendem a ser mais resilientes em momentos de juros elevados. “Energia, por exemplo, costuma apresentar receitas mais estáveis, enquanto os grandes bancos também são vistos como mais sólidos. Já companhias aéreas e empresas do varejo tendem a ser mais sensíveis aos efeitos da inflação e dos juros. Por isso, é importante avaliar não apenas a empresa, mas também o setor em que ela atua”, acrescenta Bernardo. Oncoclínicas não é a primeira, e provavelmente não será a última Recuperações extrajudiciais avançam no Brasil com pressão de juros altos GPA decide desocupar centro de distribuição em SP antecipadamente Atenção ao crédito privadoO cenário também acende um alerta para investidores que aplicam recursos em ativos de crédito privado, como CRIs, CRAs, debêntures e outros títulos emitidos por empresas.De acordo com Marilia, um dos principais indicadores que devem ser observados é o nível de endividamento das companhias.“A principal pergunta que o investidor deve fazer é: a empresa em que estou investindo tem um nível elevado de dívida? A alavancagem costuma ser um dos fatores mais importantes para avaliar o risco em momentos de juros elevados”, orienta.Resenha do DinheiroRealizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.