A influência das redes sociais sobre as decisões de investimento está redesenhando a forma como assessores e escritórios se relacionam com seus clientes. Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo Instituto Ilumeo mostra que mais de 60% dos investidores brasileiros consideram a opinião de influenciadores financeiros antes de investir.Diante disso, a construção de marca pessoal deixou de ser apenas uma ferramenta de posicionamento e passou a integrar a estratégia comercial das empresas do setor.A avaliação foi compartilhada por executivos que participaram de painel durante a Expert XP, dedicado ao papel da marca pessoal no ecossistema da assessoria de investimentos.O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Dados apresentados durante o debate mostram que 67% das pessoas pesquisam produtos e serviços nas redes sociais antes de realizar uma compra, reforçando o papel das plataformas digitais como porta de entrada para novos clientes.Leia tambémIA acelera decisões no mercado financeiro, mas exige mais capacidade analíticaSem governança e análise crítica, o avanço da tecnologia pode transformar eficiência em risco operacionalExpert XP: Como o Brasil virou peça-chave na estratégia global da NBA e da NFLEm painel na Expert XP, executivos da NBA e da NFL revelaram como o Brasil se tornou prioridade nas estratégias de expansão internacional das ligasRedes sociais entram de vez na estratégia comercialNa prática, esse cenário tem levado escritórios e assessores a enxergarem a produção de conteúdo como uma ferramenta de geração de negócios, e não apenas de marketing.Para Lucas Freitas, fundador da Blank School, muitas empresas ainda medem o desempenho de sua presença digital por indicadores como alcance e número de seguidores, quando o que realmente importa é a capacidade de transformar audiência em relacionamento e novos clientes.“Enquanto o mercado olha seguidores e visualizações, a gente olha quantos leads aquele conteúdo gerou.”— Lucas Freitas, fundador da Blank SchoolSegundo ele, depender exclusivamente de mídia paga torna a aquisição de clientes mais cara ao longo do tempo. Já a construção consistente de uma marca pessoal cria um ativo que continua gerando resultados mesmo sem aumento proporcional de investimento.Para Freitas, não existe fórmula pronta para produzir conteúdo. O diferencial está em encontrar um posicionamento próprio e adaptar as boas práticas à realidade de cada profissional.Dos bastidores à geração de negóciosEssa visão também vem orientando a estratégia de empresas do setor. CEO da VLG Investimentos, Darla Sierra conta que decidiu colocar a liderança no centro da comunicação da empresa quando assumiu o comando da gestora.Em vez de utilizar as redes sociais apenas para divulgar produtos, optou por mostrar os bastidores da companhia e aproximar investidores da cultura da organização.Segundo ela, essa construção de familiaridade tem produzido resultados comerciais concretos: clientes passaram a chegar depois de acompanhar conteúdos publicados nas redes sociais, enquanto parceiros demonstraram maior interesse em participar dos eventos promovidos pela empresa — o que reduziu custos de produção e fortaleceu o ecossistema da marca.Na avaliação da executiva, branding e humanização da comunicação ajudam a construir confiança em um mercado onde os serviços costumam ser bastante semelhantes aos olhos dos investidores.A credibilidade continua sendo o principal ativoApesar da importância crescente da presença digital, os participantes defendem que a busca por audiência não pode comprometer a confiança construída entre assessor e cliente.Para André Albo, sócio-fundador da Alta Vista, o objetivo da exposição nas redes não deve ser viralizar, mas reforçar atributos como equilíbrio, segurança e credibilidade. “Mais importante do que alcance é credibilidade”, acredita.Para o executivo, o cliente que chega pelas redes sociais inicia o relacionamento em um estágio diferente daquele que era comum alguns anos atrás. “Ele não chega convencido, mas chega pré-educado”, afirma. Isso porque boa parte do processo de conhecimento sobre o profissional já aconteceu antes do primeiro contato, tornando as conversas comerciais mais qualificadas.O perfil do assessor também está mudandoNa visão dos participantes, essa transformação também altera as competências esperadas dos profissionais. Se antes o desempenho era medido principalmente por indicadores como captação de recursos, receita e satisfação dos clientes, hoje a capacidade de produzir conteúdo, construir audiência e fortalecer relacionamentos passa a integrar o conjunto de habilidades valorizadas pelo mercado.A avaliação é que a disputa entre escritórios deixou de acontecer apenas pela carteira de clientes e passou a envolver também a disputa pela atenção dos investidores.Nesse contexto, produzir conteúdo deixa de ser uma atividade complementar para se consolidar como uma ferramenta de diferenciação competitiva. Afinal, como resume André Albo, “não adianta ser um ótimo assessor se ninguém ficar sabendo.”The post Marca pessoal deixa de ser vitrine e vira ferramenta de negócios para assessores appeared first on InfoMoney.