Deezer afirma que músicas de IA já são maioria entre novos uploads

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Metade dos uploads na Deezer são músicas de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo Segundo a Deezer, as faixas geradas por IA já representam mais da metade dos envios diários ao serviço, com cerca de 90 mil uploads por dia.Em resposta, a empresa anunciou que passará a remover sistematicamente músicas de IA usadas para fraudar reproduções na plataforma.O streaming de música afirma que já desenvolveu tecnologia para identificar esse tipo de conteúdo.Mais da metade das músicas enviadas diariamente à Deezer já é produzida integralmente por inteligência artificial. O índice ultrapassou os 50% pela primeira vez em junho de 2026, quando a plataforma recebeu, em média, 90 mil faixas sintéticas por dia. Diante do crescimento acelerado, a empresa anunciou nesta terça-feira (21/07) que passará a remover sistematicamente músicas utilizadas em fraudes de reprodução, além de conteúdos que não registraram nenhuma execução nos últimos seis meses ou mais.Segundo a Deezer, o objetivo é conter a manipulação do número de reproduções e evitar que a prática reduza os valores destinados a artistas e compositores. “Temos a tecnologia para acompanhar essa evolução”, afirmou o CEO da empresa, Alexis Lanternier.O crescimento das músicas sintéticas já preocupa o setor. Uma pesquisa de novembro do ano passado, encomendada pela Deezer à consultoria Ipsos, mostrou que grande maioria dos participantes não conseguiram diferenciar músicas geradas por IA de composições humanas. Concentração de fraudesDeezer passa a exibir um novo selo que identifica álbuns com faixas geradas por IA (imagem: divulgação/Deezer)Em comunicado, a Deezer afirma que identificou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por IA ao longo de 2025. Entretanto, elas ainda representam uma parcela pequena do consumo: apenas 1% a 3% das reproduções na plataforma. Uma das razões, segundo a empresa, é a exclusão automática das faixas sintéticas dos algoritmos de recomendação e das playlists editoriais. Os dados da empresa também indicam que boa parte dos envios em massa tem como objetivo manipular o número de reproduções e gerar receita irregularmente. Em 2025, até 85% dos streams de músicas inteiramente produzidas por inteligência artificial foram classificados como fraudulentos. No catálogo geral, esse tipo de manipulação correspondeu a 8% das reproduções no mesmo período. A Deezer desmonetiza todos os streams identificados como falsos e retira esses valores do fundo global de royalties.Apesar disso, não é incomum que algumas faixas sintéticas viralizem nas redes sociais, como ocorreu durante 2025 com Sina de Ophélia, uma versão de The Fate of Ophelia da cantora Taylor Swift, e A Million Colors, a primeira musica integralmente de IA a entrar no Top 50 do TikTok. Público defende identificação de músicas geradas por IAEm operação desde o ano passado, o sistema de detecção desenvolvido pela Deezer procura artefatos sonoros deixados por modelos generativos como Suno e Udio. Segundo a empreas, a precisão é de 99,8%.A tecnologia também passou a ser licenciada comercialmente para outras organizações do setor. Entre as entidades que utilizam o sistema estão a revista Billboard, na validação de suas paradas musicais, e a sociedade francesa de direitos autorais Sacem.Segundo a Deezer, 80% dos entrevistados pelo levantamento da consultoria Ipsos apoiaram a identificação obrigatória de conteúdos sintéticos, e 52% acreditam que faixas de IA não deveriam aparecer nos rankings de músicas mais ouvidas. Deezer afirma que músicas de IA já são maioria entre novos uploads