Os manifestantes indianos anunciaram nesse sábado (25/7) o encerramento de semanas de intensos protestos por todo o país, na “Revolta das Baratas“. A decisão veio logo após a confirmação da renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, marcando um forte recuo do poder executivo frente às pressões das ruas.Em aceno definitivo à classe estudantil, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi também cedeu e aceitou uma série de reivindicações do movimento, prometendo reformular o sistema nacional de exames universitários após sucessivas denúncias de fraude.A mobilização representou o maior sobressalto e a mais grave crise política enfrentada por Modi desde o início de seu terceiro mandato. O ápice do confronto ocorreu ao longo desta semana, quando milhares de estudantes marcharam em direção ao Parlamento, em Nova Délhi.O avanço da multidão foi contido de forma violenta pela polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar o ato, deixando centenas de feridos e aumentando ainda mais a tensão no país.A onda de insatisfação popular começou a ganhar corpo no final de junho, desencadeada pelo vazamento de questões de exames nacionais de acesso ao ensino superior. O escândalo forçou a anulação e a necessidade de reaplicação das provas para cerca de 2 milhões de candidatos.Mais do que a indignação com as irregularidades no processo seletivo, o episódio funcionou como um pavio para amplificar a frustração generalizada dos jovens com a escassez de vagas no mercado de trabalho e a falta de perspectivas profissionais na Índia.RecuoA queda de Dharmendra Pradhan, apontada como a principal exigência dos manifestantes, pegou observadores e analistas políticos de surpresa. Historicamente, Narendra Modi é reconhecido por manter uma postura irredutível diante de pressões populares, sendo extremamente raro o anúncio de demissões ou trocas em seu primeiro escalão ministerial em resposta a manifestações de rua.O recuo estratégico da gestão Modi ocorre em um momento de elevada fragilidade política para o governante e para a sua legenda, o Partido Bharatiya Janata (BJP). A cúpula governista busca estancar a crise enquanto articula alianças e tenta conter o desgaste de imagem para as eleições estaduais previstas para o próximo ano.O temor do governo era que o levante seguisse o rastro de mobilizações estudantis recentes no Sul da Ásia, que desempenharam papéis centrais na derrocada de regimes no Sri Lanka, Nepal e Bangladesh.Com as garantias dadas pelo governo federal e a saída do titular da pasta da Educação, o grupo conhecidamente intitulado Cockroach Janta Party (CJP), ou “Partido Popular das Baratas”, declarou oficialmente o fim dos atos e a desmobilização dos acampamentos.A vitória do movimento jovem consolida a força política da nova geração no debate público indiano e força o Estado a rever a transparência de suas instituições de ensino.Com informações do portal DW.