Guerra entre EUA e Irã pressiona inflação e juros no Brasil, diz economista

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A ampliação do conflito entre Estados Unidos e Irã pode provocar novos impactos na economia mundial e dificultar a redução da inflação e dos juros no Brasil. A avaliação é do professor de economia Ricardo Ramolde, que analisou neste domingo (26), em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, os efeitos da escalada da tensão no Oriente Médio.Segundo o economista, a entrada de novos atores no conflito, como os houthis, apoiados pelo Irã, aumenta o risco de interrupções no transporte de petróleo em rotas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb.“O petróleo ainda é o principal combustível da economia mundial. Toda vez que o Estreito de Ormuz é fechado ou há uma ampliação do conflito, isso traz impactos negativos não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro”, afirmou.Ramolde disse que a estratégia iraniana não passa por uma guerra convencional contra os Estados Unidos, mas por ações capazes de pressionar economicamente o Ocidente.“O Irã percebeu que não tem capacidade de lutar com os Estados Unidos de forma convencional. Então faz uma guerra estratégica, tentando reduzir a passagem de petróleo e aumentar as pressões inflacionárias”, explicou.Na avaliação do professor, a alta do petróleo já alterou as perspectivas econômicas para o Brasil em 2026. Segundo ele, a expectativa de inflação, que no início do ano girava em torno de 4%, agora supera 5%, enquanto a projeção para a taxa Selic passou de cerca de 12% para 14%.“O combustível afeta toda a cadeia produtiva. Os alimentos ficam mais caros porque dependem do transporte, assim como diversos outros produtos. E juros em 14% inviabilizam muitos investimentos”, afirmou.Para Ramolde, o cenário é especialmente preocupante para o Brasil devido à situação fiscal do país.“O Brasil já estava numa situação fiscal bastante ruim. Um choque de oferta como esse acaba impactando de forma ainda mais forte quem já enfrenta juros elevados e dificuldades nas contas públicas”, concluiu.