A produtividade está intrinsecamente ligada ao compromisso. Quanto mais controlo eu tenho sobre a minha realidade, pessoal e profissional, mais envolvido me sinto e mais me responsabilizo pelo sucesso dos meus resultados. Idealmente, cada colaborador deveria integrar uma empresa pela sua missão e pelo compromisso assumido no momento da admissão, e não pelos benefícios de que irá usufruir. Afinal, como podemos reter talento se a ligação é puramente transacional? O verdadeiro compromisso surge onde o indivíduo pode, genuinamente, ser dono da sua vida como um todo.O grande desafio atual é transformar o wellbeing em cultura, e não apenas num pacote de benefícios. Para que se torne cultural, este conceito tem de ecoar nos valores individuais de cada trabalhador. O foco deixa de ser a caça ao próximo benefício e passa a ser um estilo de vida focado no cumprimento de uma missão, onde o próprio colaborador define o que necessita para a alcançar.Acredito que o verdadeiro bem-estar surge quando as pessoas têm autonomia (ownership) e responsabilidade pelas suas próprias escolhas. Um adulto quer (e precisa) de ter controlo sobre a sua vida. Quando limitamos as opções das pessoas, estamos a infantilizá-las, tal como quando dizemos a uma criança que só pode escolher entre a fruta ou a gelatina para evitar que coma doces o dia todo.É exatamente isto que acontece com muitos modelos de benefícios flexíveis. Ao oferecerem opções pré-formatadas e limitadas, acabam por afastar os colaboradores para empresas onde a liberdade é real. Mas a liberdade de escolha vai além do tangível. Os adultos querem mais do que escolher um plano de saúde ou um ginásio; querem que a sua missão profissional esteja alinhada com o seu propósito. Se queremos profissionais maduros e motivados, temos de lhes dar a liberdade de decidir. A escolha é a base da satisfação e do bem-estar.Por outro lado, a subjetividade inerente ao termo ‘bem-estar’ é tão vasta quanto a própria humanidade. Como podemos criar uma cultura única que agrade a todos? Como gerir o facto de que o conceito de bem-estar muda conforme a fase de vida ou as circunstâncias externas de cada indivíduo?Tentar catalogar o bem-estar em ‘caixinhas’ ou atividades concretas é um esforço efémero. Por mais bem-intencionadas que sejam as medidas, a receção será sempre heterogénea:«Boa, é algo que valorizo agora»;«Não me aquece nem me arrefece»;«Isto é só para marketing interno».A solução? Não trago uma fórmula mágica em caixas fechadas, mas sim uma reflexão: por que não deixar as pessoas escolher? O que significa bem-estar para um, pode ser o oposto para outro. E isto não se resolve com o tradicional menu de benefícios flexíveis; isso é apenas uma escolha entre opções predefinidas, não é liberdade total.O wellbeing estratégico acontece quando damos aos adultos a autonomia de traçar o seu próprio caminho rumo à performance. Quando as pessoas são donas da sua carreira, capazes de analisar o seu percurso, identificar as suas reais necessidades e tomar decisões conscientes, o compromisso surge naturalmente. É nesta maturidade de gestão de carreira, onde cada um assume a responsabilidade pelo seu desenvolvimento, que a produtividade deixa de ser uma exigência e passa a ser uma consequência inevitável. Este conteúdo integra a edição da newsletter ‘Em Foco’ dedicada ao tema ‘Wellbeing Estratégico: Bem-Estar vs Performance’. Subscreva aqui as nossas newsletters.Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a Randstad.O conteúdo ‘Wellbeing’ Estratégico: o equilíbrio entre bem-estar e performance aparece primeiro em Revista Líder.