A arrecadação de impostos é uma fonte importante de receita para o Distrito Federal e, entre esses tributos, está o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Porém, um levantamento feito pelo Metrópoles, por meio de dados da Secretaria de Economia (SEEC-DF), mostrou que, puxados pelos veículos elétricos, a isenção aos contribuintes em 2026 fez com que o GDF deixasse de arrecadar R$ R$ 939,46 milhões.Veja a evolução:A evolução é nítida: o valor de isenção deste ano superou em 47,1% o registrado em 2025, que foi de R$ 638,63 milhões.Os dados da SEEC apontam que, em 2026, a isenção de IPVA aos veículos elétricos e híbridos, que bateu R$ 510,91 milhões, foi responsável por mais da metade do valor que o GDF deixou de arrecadar com o tributo.Porém, de acordo com o secretário-adjunto de Economia do DF, Marcelo Alvim, os impactos fiscais da isenção do IPVA são considerados no planejamento das contas públicas. Leia também Distrito FederalIPVA no DF: prazo para quitar última parcela começa nesta 2ª feira BrasilCCJ aprova PEC que impede IPVA de ultrapassar 1% do valor do carro Grande AngularPré-candidato de Bolsonaro ao Senado propõe extinção do IPTU e IPVA Distrito FederalDívidas de IPTU e IPVA poderão ser negociadas com até 70% de desconto O gestor explicou, ainda, que elas têm finalidades distintas. “Algumas têm caráter social, voltadas à garantia de direitos ou ao atendimento de grupos específicos. Outras buscam estimular a economia ou incentivar políticas públicas, como a adoção de veículos elétricos e híbridos”, pontuou.Segundo Marcelo Alvim, nesse último caso, a renúncia do IPVA contribui para ampliar a atividade econômica e impulsiona a arrecadação de outros tributos. “Especialmente o ICMS incidente sobre a comercialização desses veículos, além de promover benefícios ambientais”, ressaltou.Ganho coletivoSobre os elétricos e híbridos, a advogada tributarista Giselle Xavier disse acreditar que a medida é positiva. “Hoje, faz sentido o Estado abrir mão de parte da arrecadação para incentivar a troca por veículos elétricos, pois traz um ganho coletivo: menos poluição, menos impacto na saúde pública, além de sinalizar para o mercado que vale a pena investir nesse segmento aqui no DF”, observou.A especialista, porém, fez a ressalva de que o veículo eletrificado ainda é caro. “Ou seja, quem está comprando atualmente, em geral, é quem já tinha condição de adquirir de qualquer jeito”, afirmou.O risco, de acordo com Giselle, é que o benefício fiscal acabe se concentrando em quem menos precisa dele, e a arrecadação caia sem, necessariamente, acelerar a troca da frota como se espera.“Diria que o ideal é a SEEC acompanhar de perto quem está usando a isenção e se ela está realmente mudando a decisão de compra das pessoas ou só premiando uma escolha que já aconteceria de qualquer forma”, opinou.Frota antigaApesar de os elétricos e híbridos dominarem quando o assunto é o valor monetário, os veículos a partir dos 15 anos de uso se destacam no quesito quantidade isenta. Isto porque, dos 1.028.148 que não precisam pagar IPVA no DF, 895.088 (87% do total) entram nesse tipo de benefício fiscal.Para a advogada tributarista, a isenção para veículos com mais de 15 anos tem uma justificativa social relevante.“Muitos deles têm baixo valor de mercado e pertencem a pessoas que não possuem condições financeiras para substituí-los por modelos mais novos. Nesse aspecto, a medida pode evitar que a tributação recaia de forma mais pesada sobre contribuintes de menor capacidade econômica”, avaliou.