Cirurgia inédita trata doença rara pela 1ª vez no Brasil; entenda

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Uma técnica inédita e minimamente invasiva para o tratamento de uma doença rara pode revolucionar a área cirúrgica do Brasil. Trata-se da cirurgia da Arnold-Chiari, uma malformação congênita na região entre o crânio e a coluna cervical que pode comprimir estruturas do cérebro e dos nervos.O procedimento inovador já é comum em países como Alemanha, Turquia e Índia. Ele foi realizado pela primeira vez em território brasileiro em uma paciente do Maranhão.Atualmente, a técnica utilizada exige uma incisão maior na área cervical, onde estão os músculos e ligamentos do pescoço. Essa abordagem envolve a abertura de uma espécie de “capa” que protege a região, e isso a faz soltar um líquido chamado de “fístula alicólica” que protege e recobre as estruturas do cérebro.Com a fístula vazando para fora da pele, o paciente deve ser submetido a novas cirurgias para fechar essa estrutura. Essas complicações acontecem em cerca de 30% dos casos.Em entrevista à CNN Brasil, Rafael Sugino, cirurgião no Einsten e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, explicou que a nova abordagem promete diminuir o chamado “trauma cirúgico”. Ela acontece por meio de cirurgia em vídeo e é menos invasiva, pois minimiza a destruição de tecidos sensíveis e o tamanho do canal de comunicação por onde o líquor poderia vazar. De acordo com o médico, a primeira paciente submetida ao procedimento deixou a UTI em menos de 24 horas, recebeu alta hospitalar após dois dias e apresentou recuperação com pouca dor.“Quando você analisa essa experiência, você vê que é uma mudança enorme. Então, isso tem um potencial de mudar, de alguma forma, alguns outros casos pra essa técnica. Tem crianças que também têm alguns problemas parecidos que o novo procedimento pode ajudar”.Rafael Sugino, neurocirurgiãoAinda segundo Rafael, apesar da técnica necessitar de estruturas caras, ela costuma ser mais barata em um panorama geral. Isso acontece porque o paciente reduz a quantidade de internações, remédios e procedimentos que realiza para tratar a doença. Leia Mais Tecnologia inédita promete avanço no combate a casos complexos de câncer Cirurgia com robô: médico brasileiro na China opera paciente no RS Hospital realiza procedimento inédito para tratar válvula do coração Como saber se tenho essa doença?Embora cerca de 1% da população apresente a condição da Arnold-Chiari, nem todos desenvolvem sintomas. Nos casos sintomáticos, os pacientes podem sofrer com dores de cabeça intensas, tonturas, desequilíbrio e outros problemas que costumam piorar durante esforços físicos ou situações que aumentam a pressão intracraniana.De acordo com Rafael, o tratamento depende da gravidade do quadro. Enquanto muitos pacientes respondem ao tratamento clínico, alguns necessitam de cirurgia para aliviar a compressão causada pela malformação.“Ela pode se desenvolver com sintomas durante a vida. Eventualmente a pessoa desenvolve esses sintomas com seus 30 anos ou 40 anos. A pessoa, começa a ter uma vida normal, mas, de repente, ela começa a sofrer com muita dor de cabeça e desequilíbrio. A recomendação é procurar atendimento médico”, alerta o especialista.Novas metas para colocar a técnica em práticaAinda de acordo com o neurocirurgião, agora, os novos objetivos para colocar o procedimento em prática são avaliar a segurança e a reprodutibilidade da técnica antes de levá-la a outros cirurgiões, como já ocorre com o procedimento tradicional.Então, além de ser muito sensível, por estar perto do cérebro, né? As consequências podem ser trágicas, então tem que tomar muito cuidado. Rafael Sugino, neurocirurgiãoDe acordo com o médico, o Brasil reúne boas condições para o desenvolvimento do procedimento devido ao maior número de casos cirúrgicos da doença, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, o que pode contribuir para a futura disseminação do método.“Por isso que a gente está tentando fazer isso de forma bem controlada, bem sensata, porque temos que ter muitos casos de sucesso. Isso [o sucesso da técnica] que tem que ser o padrão.  Resultados muito bons é o que vão determinar ou não para um sonho virar uma realidade”, concluiu.