O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se reunirá nesta quarta-feira (22) com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante um encontro regional liderado pela ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), no qual diplomatas manifestaram preocupação com a retomada das hostilidades no Oriente Médio e com as tensões no Mar do Sul da China.Os dois devem discutir uma possível cúpula entre os líderes dos Estados Unidos e da China, prevista para o fim de setembro e mencionada pelo presidente americano, Donald Trump. Rubio afirmou no domingo (19) que o encontro continua sendo esperado.A reunião ocorre em meio a uma trégua considerada frágil entre as duas maiores economias do mundo, que pode ser afetada pelas acusações de Trump de que a China estaria interferindo nas eleições norte-americanas. As alegações foram negadas por Pequim. Leia Mais Rubio afirma que política dos EUA sobre Taiwan permanece "inalterada" Taiwan diz que vai aprofundar laços com EUA após reunião entre Trump e Xi Taiwan agradece apoio dos EUA antes de novas conversas entre Trump e Xi O encontro mais amplo da ASEAN, realizado em Manila, acontece em um momento de escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, além da persistente tensão entre a China e as Filipinas, aliado próximo de Washington, após um incidente no Mar do Sul da China que levou ambos os países a convocarem os respectivos embaixadores.Ao se reunir com os chanceleres da ASEAN, que expressaram séria preocupação com a guerra no Oriente Médio, Rubio atribuiu a responsabilidade pela crise ao Irã.“O problema que temos neste momento é que eles não estão levando as negociações a sério“, afirmou. “Se estiverem falando sério, nós também estaremos. Se não estiverem, faremos o que for necessário para proteger nossos interesses e também os interesses de nossos aliados.”Rubio ressaltou que o Irã não pode controlar o Estreito de Ormuz, argumentando que isso criaria um precedente perigoso para outras regiões do mundo, incluindo o Sudeste Asiático.“Comércio como arma geopolítica”As declarações ocorreram após a publicação de um artigo de opinião de Rubio na imprensa filipina, na terça-feira (21), no qual criticou Pequim e afirmou que os países da ASEAN enfrentam “novas ameaças coercitivas” no Mar do Sul da China.“Se essas águas passarem ao controle de uma potência disposta a usar o comércio como arma geopolítica, tanto os Estados Unidos quanto os países da ASEAN enfrentarão graves ameaças à sua soberania, segurança e futuro econômico”, escreveu.A China reivindica soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China por meio de uma linha demarcatória que se sobrepõe às zonas econômicas exclusivas de Brunei, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã. A região é palco de disputas territoriais envolvendo diversas ilhas e formações marítimas.A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, afirmou que o confronto ocorrido na segunda-feira entre a guarda costeira chinesa e militares da Marinha das Filipinas provocou preocupação com um comportamento “desestabilizador e arriscado”.“Os países da região precisam decidir como responder a isso”, disse Wong a jornalistas durante o encontro, acrescentando que o conflito no Oriente Médio pode se agravar rapidamente.Também participam da reunião representantes do Reino Unido, Canadá, União Europeia, Índia, Japão, Rússia e Coreia do Sul.Wang defende cooperação entre China e ASEANAs disputas entre Filipinas e China aumentaram nos últimos anos à medida que Manila passou a adotar uma postura mais firme no Mar do Sul da China e aprofundou seus laços de defesa com Estados Unidos, Austrália e Japão.Em reunião com o secretário-geral da ASEAN na terça-feira, Wang afirmou que setores da área de segurança das Filipinas realizaram provocações deliberadas em benefício de “forças externas” e disse que Pequim está disposta a trabalhar com a ASEAN para “eliminar fatores de interferência”.Ao se reunir com os chanceleres da ASEAN nesta quarta-feira, Wang afirmou que confiança mútua, abertura e inclusão são essenciais para a prosperidade da região e constituem a base para alcançar resultados concretos.“Que sejamos a âncora da paz e do desenvolvimento regional e global”, declarou.Rubio também participou de uma reunião do Quad, grupo formado por Estados Unidos, Índia, Austrália e Japão, criticado por Pequim por considerar que tem características da Guerra Fria e busca conter o desenvolvimento chinês.Em comunicado conjunto, os quatro países reafirmaram o compromisso de fortalecer “um Indo-Pacífico livre e aberto” e reiteraram o apoio à unidade e ao papel central da ASEAN.