Apenas um em cada três americanos apoia a guerra contra o Irã, o índice mais baixo registrado em uma pesquisa Reuters/Ipsos desde o início do conflito, que já dura cinco meses, com a maioria dos entrevistados afirmando que o presidente Donald Trump não conseguiu explicar seus objetivos.A pesquisa, realizada entre sexta-feira (24) e domingo (26), também mostrou uma leve alta na taxa de aprovação do presidente republicano, chegando a 37%, um aumento de três pontos percentuais em relação ao mês passado, quando seu índice havia empatado com o mais baixo de sua presidência.Trump apresentou objetivos variados para o conflito, como ajudar os iranianos a derrubar seus líderes, eliminar as capacidades de mísseis balísticos do Irã e impedir que o país obtenha uma arma nuclear. A pesquisa revelou que 69% dos americanos, incluindo quatro em cada dez republicanos, acreditam que Trump não “explicou claramente os objetivos do envolvimento militar dos EUA no Irã”. Leia Mais Pesquisa aponta que 6 em cada 10 americanos veem guerra com o Irã como erro Pesquisa: 79% dos americanos esperam guerra prolongada entre EUA e Irã Percepção do americano sobre guerra afetou ações de Trump, diz professor A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que Trump não tomará decisões com base em “pesquisas de opinião voláteis” e reiterou a determinação do presidente em impedir que o Irã algum dia adquira uma arma nuclear.“O que mais importa para o povo americano é ter um comandante-em-chefe que tome medidas ousadas para garantir sua segurança”, disse Wales.A aprovação do conflito tem permanecido abaixo de 40% desde que os EUA e Israel lançaram ataques em 28 de fevereiro — um contraste marcante em relação aos meses iniciais de outros conflitos recentes.Embora cada um tenha ocorrido em um contexto diferente, a Guerra do Iraque (2003-2011) contou com o apoio de cerca de 70% dos americanos em seus primeiros meses. Já no início da Guerra do Afeganistão (2001-2021), cerca de 90% da população apoiava o conflito, segundo pesquisas do instituto Gallup.“Sem ideia” do motivo da guerra dos EUAA desaprovação pública da guerra pesa sobre Trump e o Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro, quando os aliados do presidente defenderão maiorias apertadas no Congresso dos EUA.“Não está claro por que começamos uma guerra contra eles. Não faço ideia”, disse Alex Womack, um especialista aposentado em reparo de turbinas de Stockbridge, na Geórgia, que se tornou republicano em parte porque gostava da atuação do presidente republicano George H.W. Bush lidou com a Guerra do Golfo em 1991.Womack, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA durante aquele conflito, disse que seu apoio a Trump diminuiu por causa da guerra.“Pessoalmente, não acho que ele esteja indo muito bem”, disse ele.Até o momento, 18 soldados americanos morreram no conflito, enquanto milhares morreram no Irã e no Líbano, onde combatentes aliados do Irã enfrentaram forças israelenses.A guerra provocou uma forte alta nos preços da gasolina, um golpe nas finanças de muitos americanos. O preço médio da gasolina em todo o país está pouco acima de US$ 4 o galão, um aumento em relação aos cerca de US$ 3 o galão registrados pouco antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.“Isso pressiona o partido de várias maneiras, todas elas negativas”, disse Alex Conant, estrategista político republicano e porta-voz da Casa Branca durante a presidência de George W. Bush.“Autoridades da Casa Branca vêm dizendo desde janeiro que precisam vencer os debates sobre economia. É difícil vencer esses debates quando se está claramente focado em política externa”, disse.Eleitores independentes registrados, ouvidos na mais recente pesquisa Reuters/Ipsos, declararam preferência pelo candidato democrata ao Congresso em relação ao republicano, com 36% contra 20%.A pesquisa também apontou que os eleitores independentes preferem os democratas aos republicanos no que diz respeito à política econômica.Trump prometeu ficar fora de guerrasDurante a campanha para a eleição presidencial de 2024, Trump afirmou que manteria os EUA fora de conflitos prolongados. Inicialmente, ele estimou que a guerra com o Irã duraria de quatro a cinco semanas. Ele reagiu mal a comparações com outras guerras, incluindo a Guerra do Vietnã, que durou duas décadas e custou a vida de mais de 58 mil soldados americanos.Rhyan Anderson, um eleitor independente de Fairburn, na Geórgia, que votou em Trump em 2024, disse acreditar que o presidente deveria se concentrar em problemas internos, em vez de ajudar Israel ou outros aliados.“Para mim, o mais importante é focar nas pessoas que realmente estão no país”, disse Anderson, que tem dois empregos — nas áreas de segurança e coleta de dados — e afirmou ter votado no democrata Joe Biden em 2020.“Sei que temos aliados e coisas do tipo, mas há muitas pessoas aqui que realmente precisam de ajuda”, acrescentou.Desde meados de março, a pesquisa Reuters/Ipsos tem perguntado aos entrevistados se eles apoiam ou se opõem a ataques militares contra o Irã. Naquela ocasião, 37% disseram apoiar a guerra.Esse índice se compara aos 27% de aprovação registrados no dia em que a guerra começou — momento em que a pesquisa Reuters/Ipsos também ofereceu aos entrevistados a opção de responder que não tinham certeza, escolha feita por 29% deles.A mais recente pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online e em âmbito nacional, coletou respostas de 1.246 adultos norte-americanos e apresentou uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.Trump diz que deixou instruções para atacar Irã caso seja assassinado