O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) alertou, em relatório divulgado nesta segunda (27/7), que a redução do financiamento internacional provavelmente causará um ressurgimento da epidemia da doença. O documento foi apresentado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, que acontece no Rio de Janeiro.O texto lembra que, apesar de novas infecções e mortes ligadas à aids estejam nos níveis mais baixos dos últimos 30 anos, os últimos movimentos internacionais têm minado a capacidade de resposta ao HIV. Leia também SaúdeDois novos casos de possível cura do HIV são anunciados em conferência SaúdeMinistério da Saúde atualiza acesso a remédio de HIV multirresistente SaúdePílula diária em estudo pode ampliar opções terapêuticas contra o HIV SaúdeEstudo testa oferta de PrEP em comunidades para prevenir HIV “Cerca de 22% das 41 milhões de pessoas vivendo com HIV não estavam em tratamento, e quase metade de todas as crianças vivendo com HIV não teve acesso à terapia antirretroviral em 2025. Cerca de 570 mil pessoas morreram por doenças relacionadas à aids em 2025”, diz o documento.A Uniaids aponta que os medicamentos criados para prevenir e para lutar contra o HIV evoluíram muito nos últimos anos. Há novas opções de injetáveis mensais e semestrais, além de comprimidos usados uma vez por mês para controlar a infecção. Porém, o acesso a essas novidades ainda é um desafio.Colapso da assistências internacionaisO relatório explica que, apesar das novidades, o investimento internacional no desenvolvimento e distribuição de medicamentos comntra o HIV diminuiu 23% em 2025, afetando programas que tentam controlar os casos.“A era de depender da ajuda internacional acabou. Os países não podem esperar e não podem retroceder. O mundo deve corrigir urgentemente o sistema financeiro que já não é mais funcional e acelerar a reestruturação da dívida para que os governos possam investir no que mais importa: a saúde, a educação e o futuro de suas populações”, alerta a diretora executiva da Uniaids, Winnie Byanyima.Outros problemas apontados pelo documento são o desmantelamento de projetos para distribuição de preservativos e medicamentos, a criminalização de pessoas que vivem com a infecção, e o retrocesso dos direitos sexuais de mulheres e meninas. Todos estes fatores, combinados, podem causar um aumento na quantidade de pessoas infectadas apesar da qualidade do tratamento. “A escolha diante de nós é nítida: recuar e arriscar um ressurgimento da epidemia, ou repensar, reconstruir e avançar para acabar com a aids como ameaça à saúde pública até 2030”, diz Byanyima.