Coronel convidou investigado por ligação com PCC para festa da PM: ‘Tudo em conta’

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Mensagens analisadas pelo Ministério Público de São Paulo mostram que um coronel da reserva da Polícia Militar (PM) convidou um homem investigado por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para uma viagem à colônia de férias dos oficiais da corporação, em Campos do Jordão, no interior paulista. As conversas fazem parte da investigação que apura a relação entre policiais militares e suspeitos de envolvimento com a facção criminosa e foram reveladas no domingo (26) pelo Fantástico, da TV Globo.Segundo a investigação, as mensagens foram trocadas em setembro de 2020 em um grupo chamado “Viajar Gente Linda”. Em uma das conversas, o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins sugere que os integrantes aproveitem um feriado para viajar à cidade da Serra da Mantiqueira.“Quanto ao próximo feriado, podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais!!! Tudo mais em conta, todos como associados!!”Luiz Carlos Pereira Martins, segundo o relatório do Ministério PúblicoQuem responde ao convite é Cleber Azevedo dos Santos, apontado pelos promotores como investigado por vínculos com o PCC. Nas mensagens, ele demonstra interesse na viagem e passa a participar da conversa com os demais integrantes do grupo.Para o Ministério Público, a conversa evidencia a proximidade entre o coronel e pessoas investigadas por participação em atividades atribuídas à facção criminosa. Os promotores afirmam que os diálogos são um dos elementos reunidos para demonstrar a relação mantida entre Luiz Carlos e investigados.Hospedagem destinada a oficiaisA colônia de férias mencionada nas mensagens é destinada a oficiais associados da PM, seus dependentes e convidados. Pelas regras do local, quando há hóspedes convidados, a reserva deve ser feita por um oficial, que assume a responsabilidade pela estadia.Segundo os investigadores, o fato de o convite ter partido do coronel reforça a relação de confiança entre ele e Cleber Azevedo dos Santos. O relatório afirma ainda que Luiz Carlos mantinha amizade com investigados por ligação com o PCC e, em determinadas situações, era visto como alguém capaz de facilitar contatos dentro da corporação.As investigações apontam que o contato entre o coronel e os investigados não ficou restrito ao episódio de Campos do Jordão.Segundo o MP, novas mensagens trocadas em 2022 mostram conversas sobre uma reserva em outra colônia de férias da Polícia Militar, desta vez em Boraceia, no litoral de São Paulo.Os promotores também citam mensagens entre Luiz Carlos e Robson Martins de Souza, apontado como sócio de Cleber Azevedo dos Santos e responsável por articular pagamentos de propina a policiais. Os dois foram presos durante a operação deflagrada na semana passada.O relatório ainda reúne conversas em que o coronel oferece ajuda para aproximar investigados de oficiais da Polícia Militar e participa de grupos de mensagens com pessoas que, segundo o Ministério Público, integrariam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.Investigações seguem em andamentoAinda de acordo com o Fantástico, o Ministério Público informou que as investigações continuam e que não comentará o caso neste momento.Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos e que eventuais responsabilidades serão investigadas com rigor.O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins não respondeu aos contatos feitos pela reportagem do jornal.O que dizem as defesasA defesa de Cleber Azevedo dos Santos disse que ele nunca atuou como operador financeiro do PCC e negou qualquer envolvimento dos policiais citados com suas empresas ou influência na resolução de questões empresariais.Já o advogado de Robson Martins de Souza não respondeu aos contatos feitos pelo Fantástico.