Sony restringe comunicação de estúdios após críticas ao fim da mídia física

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Sony vai encerrar venda de mídia física dos jogos de PlayStation (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo Sony estabeleceu regras rígidas de comunicação para funcionários sobre a descontinuação de jogos em disco no PlayStation.Segundo uma ex-funcionária, a empresa sabia que a transição geraria reação negativa e orientou equipes a evitar comentários sobre o assunto.As informações indicam que uma fábrica de discos da Sony na Áustria será reestruturada para produzir microlentes ópticas para data centers de IA.A Sony Interactive Entertainment parece ter adotado uma medida mais severa para lidar com a recente crise de imagem envolvendo o seu ecossistema de games. A empresa teria estabelecido regras mais rígidas de comunicação nas redes sociais para mitigar as críticas após o polêmico anúncio de que o PlayStation não terá mais jogos em mídia física a partir de 2028.Segundo Alanah Pearce, que trabalhou no Santa Monica Studio, a Sony sabia que uma transição repentina para um modelo sem mídia física poderia gerar reação negativa e, por isso, orientou suas equipes a evitar comentários sobre o assunto. A ex-funcionária classificou as regras como as “diretrizes de mídia social mais rígidas de todos os tempos”.Silêncio absoluto nos estúdios da SonyAs informações vêm de ex-colaboradores da empresa, incluindo Pearce, que mantém um canal no YouTube com mais de 680 mil inscritos e detalhou parte do caso. Segundo ela, desenvolvedores dos estúdios internos da PlayStation receberam orientação para não comentar o assunto. Embora a Sony já tenha o hábito de controlar a comunicação em torno de novos projetos, o nível de restrição atual seria sem precedentes. Internamente, a justificativa é que declarações mal interpretadas poderiam aumentar ainda mais a repercussão negativa.De acordo com a roteirista de God of War: Laufey, a Sony já havia previsto que a notícia não seria bem recebida. Por isso, a gerência adotou regras de comunicação mais radicais.Vale lembrar que, desde o anúncio, parte da comunidade PlayStation têm cobrado um diálogo mais aberto da empresa, especialmente diante das incertezas sobre os impactos do fim da mídia física no mercado de games a longo prazo.Por que a Sony vai descontinuar os discos em 2028?Transição para o formato 100% digital levantou preocupações (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)A decisão se baseia em dados levantados pela própria Sony, que sugerem uma mudança no padrão de consumo. Segundo a empresa, os jogadores preferem o formato digital. No entanto, trata-se de um reposicionamento comercial. Conforme apurado por Pearce, a principal fábrica de discos da companhia, localizada em Thalgau, na Áustria — antes responsável por prensar cerca de 600 mil unidades diárias — passa por uma reestruturação profunda.O polo está recebendo um investimento de 30 milhões de euros (cerca de R$ 174 milhões) para adaptar a sua linha de produção e direcionar o maquinário para a fabricação de microlentes ópticas, um componente importante para data centers de inteligência artificial. A mudança de foco foi bem recebida pelo mercado financeiro e as ações da Sony subiram 7% logo após o anúncio.Ainda assim, informações do site PushSquare indicam que a estrutura austríaca manterá capacidade técnica para fabricar volumes limitados de mídia física. Isso sugere que a distribuição no varejo tradicional realmente chegará ao fim, mas eventuais edições especiais de colecionador ou tiragens sob demanda ainda poderão chegar ao mercado esporadicamente.Impactos legaisO caminho rumo a um ecossistema digital já causou problemas jurídicos. Junto ao fim das mídias, a empresa também comunicou o encerramento das lojas virtuais do PlayStation 3 e do PS Vita, cortando o acesso a centenas de títulos clássicos no ano que vem. Com as próximas gerações de consoles amarradas à PlayStation Store, a marca agora também é acusada de forçar um monopólio no setor de videogames.Conforme detalhado por Pearce, a Sony está na mira de pesadas ações antitruste. Uma organização não governamental holandesa entrou com um processo exigindo 400 milhões de euros (mais de R$ 2,4 bilhões) sob o argumento de que a eliminação dos discos destrói a concorrência e o mercado de usados, sujeitando o consumidor às taxas da loja oficial.Nos Estados Unidos e no Reino Unido há embates semelhantes, incluindo um processo coletivo que cobra 2 bilhões de libras (cerca de R$ 14,3 bilhões) da empresa pelo mesmo motivo. O descontentamento também inclui lojistas. Recentemente, vimos até uma loja de games criar um abaixo-assinado para a Sony manter jogos em mídia física. Contudo, um recuo da gigante japonesa é visto hoje como improvável.Sony restringe comunicação de estúdios após críticas ao fim da mídia física