O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já escolheu a data e o local do primeiro evento da campanha à reeleição. O petista vai iniciar a campanha por onde começou na política: o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco das históricas greves de metalúrgicos do ABC paulista.Foi lá que Lula iniciou a carreira política como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. No fim dos anos 1970, o Brasil vivia sob governo militar, e Lula foi o principal líder de uma série de manifestações no estádio de futebol cujo nome oficial é 1º de maio – uma referência ao Dia do Trabalhador. Leia também São PauloHaddad reage a ataque de Milei a Alexandre de Moraes: “Desrespeitoso” São PauloCaiado chama Lula de “agiota”, evita nome de Flávio, mas dá indiretas Manoela AlcântaraDeputado aciona PGR contra vídeo de IA de Bolsonaro na convenção do PL São Paulo“Esquerda nunca vai ganhar em SP”, diz Tarcísio em palanque de Flávio O local foi pensado como uma estratégia da campanha do petista, que quer retomar a imagem de Lula como parte do povo. O plano já foi posto em prática neste fim de semana, durante a convenção estadual do PT que oficializou a campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.No último sábado (26/7), em Campinas, foi montado um palco pequeno e em uma parte inferior de um ginásio, colocando o público em primeiro plano.“A parte alta da fala do Lula foi dizer que ele não pode lutar contra o tempo, mas é um de nós. Eu sou de vocês, vocês são de mim”, explicou um estrategista ligado ao PT.Além de colocar Lula no meio do povo, a ideia era que Haddad circulasse entre os militantes e que as pessoas pudessem tocá-lo. A ideia era aproximar o candidato ao governo da população a partir da percepção que o professor da USP tem dificuldade de falar com o povo pelo perfil academicista.Na mesma direção, a equipe de Lula lançou no domingo (27/7) um jingle de campanha que é uma paródia do Rap do Silva, funk dos anos 1990, que falava sobre um “funkeiro pai de família”, para mostrar que Lula é “só mais um Silva”.História do EstádioEm março de 1979, uma manifestação reuniu 60 mil trabalhadores, superando a capacidade da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A concentração foi transferida para o gramado do estádio, segundo informações do Instituto Lula.Na falta de sistema de som, o presidente subiu em cima de uma mesa e fez um discurso com um megafone. A mensagem era repassada de fileira para fileira, já que quem estava ao fundo do estádio, não conseguia escutar o então sindicalista.Em 1980, outra greve comandada por Lula no ABC o levou à prisão. O ex-presidente ficou detido por 31 dias e chegou a fazer greve de fome no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo.Como conta o biógrafo do presidente Fernando Morais, quando a greve terminou, o então delegado Romeu Tuma pensou em uma comemoração irônica e mandou encomendar porções de Lula à Dorê de um tradicional restaurante grego, aberto até hoje no bairro do Bom Retiro, na região central da capital paulista.