A atriz Gabriela Loran desabafou sobre um caso de transfobia que sofreu antes da fama, quando trabalhava em um restaurante em um shopping. Em entrevista ao Sem Censura desta terça-feira (21), a atriz contou que foi expulsa do banheiro feminino por exigência de um segurança, mas se manifestou contra a demissão dele quando a administração do estabelecimento decidiu fazê-lo.Gabriela estava no banheiro com duas amigas, quando foi abordada por uma prestadora de serviços. Segundo a atriz, a funcionária parecia nervosa e constrangida em dar o recado. “Eu preciso que você saia. Fala com o segurança ali”, teria dito a profissional.A intérprete de Viviane em Três Graças (2025) foi conversar com o segurança e recebeu um insulto. “Falei que não entendi por que ele queria que eu saísse do banheiro. E ele: ‘ah, meu parceiro, pelo amor de Deus, você pode assustar as pessoas'”, relembrou Gabriela.A atriz preferiu não discutir e enviou um e-mail para a administração do shopping. Ela disse que guarda a mensagem até hoje. “Quando eu escutei a fala dele, percebi que era uma pessoa que não tinha discernimento para entender. Então, não era com ele que eu iria resolver isso. Virei minhas costas, engoli meu choro, fui para casa e trabalhei o dia inteiro com aquela sensação horrorosa de ter sido humilhada”, lamentou.Após o e-mail, ela recebeu uma ligação da equipe do shopping, que ofereceu um jantar em qualquer restaurante do estabelecimento e anunciou a demissão do segurança. Gabriela, no entanto, se posicionou contra o desligamento dele.“Eu falei: ‘não, você não vai demiti-lo’. Porque o problema não está nele. Você vai demiti-lo, ele vai entrar em outro emprego e vai replicar a mesma coisa. O que eu quero é uma palestra de diversidade para os funcionários”, justificou.Gabriela também recordou situações constrangedoras vividas em sets por ser uma mulher trans. “Eu já passei por diversas situações no audiovisual. Fui chamada para fazer uma personagem, a pessoa disse: ‘estou vendo seu Instagram, você é muito bonita, fala aí como trans, anda como trans. Como trans fala e anda?’. Falava: ‘é sério que estou passando por isso?’. Ou, então, vem textos com piadas que não fazem sentido serem ditas por pessoas trans.”A artista defendeu que, por casos como esses, é importante frisar sua identidade de gênero. “Por mais que a gente não precise [falar que é trans], às vezes, a gente tem que falar para letrar essas pessoas. A gente não recebe nem mais nem menos por isso. Às vezes, vem erros em textos que a gente faz ajustes, conversa”, expôs.Por fim, Gabriela declarou que teve muita abertura para dar sugestões para sua personagem em Três Graças e reforçou a importância de receber oportunidades de pessoas cisgênero em posições de poder.“A Viviane só foi um sucesso porque eu tive escuta, pessoas que estavam em lugares de poder me ouviram e se abriram a mim. Para que uma pessoa trans seja contratada, é preciso que o contratante use seus privilégios a favor dessa pessoa. Se eu consegui esse espaço, foi porque pessoas abriram portas para mim”, refletiu.O post Gabriela Loran expõe caso de transfobia que sofreu em shopping: ‘Engoli o choro’ apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.