Coronel da PM tinha grupo com presos em ação contra o PCC, diz investigação

Wait 5 sec.

O Ministério Público de São Paulo realizou nesta terça-feira (21) uma operação contra suspeitos de financiar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e atuar nos chamados “tribunais do crime”. Segundo a denúncia obtida pela CNN Brasil, um agente da Polícia Militar mantinha relação de proximidade com dois dos presos na ação desta terça em um grupo de WhatsApp.De acordo com o documento, o coronel Pereira Martins participava do grupo “Aniversário general” com Cléber Azevedo e Robson Martins de Souza, presos durante a ação.Segundo o Ministério Público, o grupo no aplicativo de mensagens permaneceu ativo ao menos até 21 de novembro de 2023 e era usado para a troca de mensagens de caráter pessoal e social, o que evidenciaria uma relação de proximidade entre o oficial e os investigados.A denúncia ainda aponta que existem registros de que o coronel “se dispôs a ajudar os investigados e intermediar contato com autoridades, o que reforça o grau de proximidade [entre ele e os presos]”.PMs de alto escalão e doleirosA denúncia do MP revela relações que envolvem doleiros, empresários e menções a membros da alta cúpula da Polícia Militar do estado. Leia Mais Operação mira grupo de financiamento do PCC e "tribunais do crime" em SP Comerciante desaparecido em SP foi atraído para emboscada, diz polícia Sétimo suspeito da morte do PM Cabo Santana é preso em SP As investigações, baseadas em mensagens interceptadas e planilhas de transações financeiras, citam nomes de oficiais de alta patente da corporação.Além do coronel Pereira Martins, também estão o coronel José Augusto Coutinho e o coronel “Patrício”. No entanto, os militares não são investigados e não foram denunciados. Entenda a atuação do trio:Coronel Pereira Martins: descrito como alguém com relação de amizade com os alvos Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza (presos durante a ação desta terça-feira). Registros indicam que o oficial participava de grupos de mensagens sociais e se dispunha a intermediar contatos com outras autoridades;Coronel José Augusto Coutinho: ex-comandante-geral da Polícia Militar e ex-comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), aparece em diálogos dos investigados, sugerindo uma possível ligação com o operador financeiro do grupo criminoso Amjad Ahmad (responsável por operar o esquema a partir do Tatuapé em parceria com os outros lavadores de dinheiro);Coronel “Patrício”: identificado em planilhas de despesas do grupo como “cliente”, com registros de pagamentos em dinheiro vivo provenientes de atividades ilíctas conhecidas como “ticketagem”. Além disso, mensagens revelam que os operadores buscavam levantar fundos para “pagar a polícia”.A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos investigados e dos policiais citados. O espaço está aberto para manifestações.Operação mira grupo de financiamento do PCC e "tribunais do crime" em SP | LIVE CNN“Banco e tribunais do crime”O grupo investigado funcionava como uma espécie de “banco” destinado à movimentação de recursos ilícitos. Um dos principais nomes tidos como clientes era Leonador Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como chefe da facção na Favela do Moinho, no Centro de São Paulo.A investigação detalha ainda que o empresário Cléber Azevedo dos Santos recorreu a “tribunais do crime” do PCC para resolver disputas imobiliárias.Leia também: Operação mira grupo de financiamento do PCC e “tribunais do crime” em SPEm um dos episódios, o conflito envolvia um imóvel de luxo em Riviera de São Lourenço. A resolução do problema teria passado por uma intervenção direta da liderança da facção.Na manhã desta terça-feira, 11 alvos foram presos e cinco estão foragidos. “Leo do Moinho” e “Buiu” já estavam presos, mas foram alvos de novos mandados.De acordo com o MP, os investigados teriam feito operações que envolviam entrega de numerário em espécie, transferências bancárias, utilização de empresas e contas de terceiros e movimentação de recursos em benefício de integrantes e colaboradores do PCC.A representação embasou os pedidos de busca e apreensão, prisão preventiva e bloqueio do imóvel, que agora são analisados pela Justiça. A investigação faz parte de um desdobramento das operações Bazaar e Recidere, que apuram um esquema de lavagem de dinheiro, corrupção de policiais civis e financiamento do PCC.