Análise: EUA usam tarifaço como ferramenta política

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Diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, empresários brasileiros já buscam alternativas para mitigar os impactos das novas taxações. Entre as principais estratégias do setor privado está a diversificação de mercados, com foco em países que já mantêm acordos comerciais com o Brasil. A editora e analista de Economia da CNN Lucinda Pinto comenta o tema ao CNN Prime Time.Um levantamento realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) apontou que Emirados Árabes Unidos, Canadá e Bélgica têm capacidade de absorver parte significativa das importações afetadas pela nova taxa de 25% imposta pelos Estados Unidos.O mapeamento de oportunidades conduzido pela Apex também inclui países do Mercosul e da Ásia. Para o setor de veículos, que integra a lista de produtos taxados, as alternativas identificadas são Argentina, Austrália e Reino Unido. Leia Mais Em defesa final contra tarifaço, Brasil fala em "custos pesados" para EUA Em resposta oficial, Brasil diz que EUA não têm base para impor tarifa Amcham: Participação dos EUA no comércio exterior brasileiro atinge mínima Insegurança e prêmio de risco preocupam investidoresLucinda avalia que, embora o impacto macroeconômico das medidas seja restrito — uma vez que se trata de aproximadamente 3% de tudo que o Brasil exporta —, os efeitos vão muito além dessa dimensão.“A gente tem falado bastante de que o impacto macroeconômico dessas medidas é pequeno, é restrito. O ponto é que o impacto vai muito além disso”, afirmou Lucinda Pinto.Segundo ela, questões de previsibilidade e a insegurança gerada por esse tipo de ambiente criam o chamado prêmio de risco, levando investidores a adiar ou postergar decisões.Lucinda Pinto destacou ainda que grandes multinacionais tendem a reconsiderar investimentos, como a instalação de fábricas, quando se deparam com um cenário de tarifação e desorganização de cadeias produtivas.“Além da questão macroeconômica, que realmente parece que vai ser localizado, a gente vai ter um efeito mais localizado nos setores que estão sendo afetados por essa tarifa”, explicou a analista. Ela também mencionou a possibilidade de uma tarifa adicional de 10% relacionada a uma investigação sobre suposto trabalho análogo à escravidão.Resultados concretos das tarifas nos EUA ainda são incertosQuestionada sobre os efeitos das medidas protecionistas dentro dos próprios Estados Unidos, Lucinda Pinto foi cautelosa. Embora a economia americana tenha mostrado algum crescimento mesmo com juros mais altos, a analista afirmou ser difícil atrelar esse desempenho diretamente às políticas tarifárias adotadas.“O que a gente tem de concreto foi um efeito sobre a inflação. Então, alguns outros produtos que haviam sido tarifados acabaram gerando uma inflação”, disse. Até o momento, segundo ela, não há notícias de efeitos positivos ou benignos para os Estados Unidos decorrentes dessas medidas. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.