São Paulo é 3ª cidade com maior taxa de roubo e furto de celular no Brasil

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A cidade de São Paulo, que concentra 5,6% da população brasileira, respondeu por 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no país em 2025. Por esse motivo, ocupa a terceira pior posição no ranking nacional da taxa desse tipo de crime por habitante, atrás apenas de São Luís (MA) e Belém (PA). Em todo o Brasil, foram registrados, em média, 95 casos por hora, somando mais de 830 mil aparelhos subtraídos.No ano passado, a capital paulista registrou 1.390,5 celulares levados por ladrões para cada 100 mil habitantes, índice quase quatro vezes superior à média nacional, de 371,2. À frente de São Paulo aparecem apenas São Luís, com taxa de 1.517, e Belém, com 1.487. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23/7) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).Além das três capitais, o ranking das dez cidades com maior taxa de roubo e furto de celular tem Salvador (BA), 1.195; Lauro de Freitas (BA), 1.144,5; Porto Velho (RO), 1.123,2; Manaus (AM), 1.107,1; Olinda (PE), 1.060,3; Ananindeua (PA), 979,5; Teresina (PI), 975,3.Apesar dos números expressivos, houve queda de 7,7% nos registros de furtos e roubos de celulares em comparação com o ano anterior. Os números foram puxados para baixo especialmente pela redução na quantidade de roubos, que caíram de 378 mil para 309 mil, uma redução de 18,6%. Já os furtos tiveram ligeiro aumento, de 477 mil para 484 mil (0,9%).De forma geral, apenas duas unidades da federação tiveram aumento nos registros de furto e roubo de celular no ano passado: Rio de Janeiro (22,7%) e Paraíba (21,1%).SubnotificaçãoA redução nos roubos e furtos de celular é vista com cautela na análise realizada pelo FBSP. A diretora executiva, Samira Bueno, e o diretor presidente, Renato Sérgio de Lima, apontam que pesquisas de vitimização indicam tendência de diminuição na incidência desse tipo de crime, mas ressaltam que o volume de registros parece subdimensionado.“Considerando a pesquisa mais recente produzida pelo FBSP, 8,3% da população de 16 anos ou declarou ter sido vítima de roubo/furto de celular, o que equivale a cerca de 13,9 milhões. Se todas estas pessoas tivessem procurado as autoridades para registrar terem sido vítimas de tais crimes, o número de Boletins de Ocorrência seria muito maior”, diz a análise divulgada junto com o Anuário.Estado de São Paulo concentra 32% dos furtos e roubos de celular do país34,5% dos furtos no Brasil foram praticados aos sábados e domingosFurto acontece especialmente das 10h às 12h (14,6%) e das 17h às 20h (21,4%)Roubos ocorrem mais nos dias úteis (73,1%), com picos às sextas-feirasRoubo tem dois picos ao longo do dia: das 5h às 6h (9,9% de todas as ocorrências) das 18h e às 23h (4 em cada 10), com pico às 20hNo Nordeste, o pico se dá nos meses de fevereiro (9,7%), março (10,3%) e junho (12,8%), respectivamente pré-Carnaval, Carnaval e São JoãoHomens concentram 59,8% de todas as vítimas de roubo de celular, enquanto furtos se distribuem de forma equilibradaNegros representam 66,9% das vítimas de roubo e 57% das vítimas de furtos de celularA subnotificação apontaria para um problema de política pública, com a incapacidade do Estado de registrar esse tipo de crime.Para os especialistas, independentemente dos números, tudo indica que roubos e furtos de celular sintetizam “uma tendência de pânico em relação à violência urbana e de mudança profunda nos padrões de circulação e consumo do brasileiro, que passou a alterar radicalmente seus hábitos pelo medo da violência”.Inutilizar os celulares remotamente, dificultar a revenda, intervenções na infraestrutura urbana, como melhoria na iluminação pública, e registro e bloqueio remoto pelos usuários, como no Programa Brasil Seguro, são apontados como maneiras de promover a redução dos números de roubo e furto.