Anuário de Segurança: Policiais batem novo recorde e mataram 5,4% a mais em 2025

Wait 5 sec.

As mortes decorrentes de intervenções de policiais civis e militares no Brasil atingiram o maior patamar da série histórica em 2025. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 6.602 pessoas morreram em ações policiais no ano passado, um aumento de 5,4% em relação a 2024. O avanço acontece na contramão da tendência nacional de redução da violência letal: no mesmo período, as Mortes Violentas Intencionais (MVI) caíram 8,2%.As mortes decorrentes de intervenção policial correspondem aos casos em que uma pessoa morre durante ações de policiais civis ou militares, em serviço ou fora dele. O indicador é utilizado para medir a letalidade da atuação das forças de segurança pública e integra as estatísticas oficiais de Mortes Violentas Intencionais (MVI), ao lado dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.Em 2025, as intervenções policiais responderam por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais registradas no país. Na prática, isso significa que uma em cada seis mortes violentas ocorreu durante ações de agentes de segurança pública. Ao todo, o Brasil contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais no ano, o equivalente a uma taxa nacional de 19,1 mortes por 100 mil habitantes.“O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira”, aponta o Anuário.Amapá lidera pelo 7º ano seguidoPelo sétimo ano consecutivo, o Amapá registrou a maior taxa de letalidade policial do país, com 17,1 mortes por 100 mil habitantes. Veja as taxas de letalidade policial por estado:Amapá: 17,1;Bahia: 10,6;Sergipe: 8,4;Pará: 7,3;Rio de Janeiro: 6,6;Acre: 6,0;Rondônia: 2,7;Mato Grosso: 2,7;Pernambuco: 2,6;Ceará: 2,5;Espírito Santo: 2,5;Tocantins: 2,4;Goiás: 2,3;Mato Grosso do Sul: 2,3;Alagoas: 2,2;Maranhão: 2,1;Paraíba: 2,0;Rio Grande do Norte: 1,9;Paraná: 1,8;Minas Gerais: 1,7;Santa Catarina: 1,4;São Paulo: 1,2;Amazonas: 0,9;Piauí: 0,9;Rio Grande do Sul: 0,7;Distrito Federal: 0,5;Roraima: 0,4;Embora ocupe a segunda posição em taxa, a Bahia liderou em números absolutos. O estado registrou 1.570 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, o equivalente a quase 24% de todos os casos registrados no Brasil.Entre 2024 e 2025, a maior parte dos estados registrou crescimento da letalidade policial. Apenas dez estados reduziram seus indicadores. O aumento mais expressivo ocorreu em Rondônia, onde o número de mortes passou de oito para 47 casos, elevando a taxa em 485,6%. Também foram registradas altas relevantes no Maranhão (84%), Alagoas (54,6%) e Rio Grande do Sul (50,2%).O relatório também cita a Operação Contenção, realizada em outubro do ano passado nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A ação resultou em 122 mortes, sendo 117 civis e cinco agentes de segurança pública, tornando-se uma das ocorrências de maior impacto do período.“Os dados apresentados reforçam que a redução da letalidade policial depende menos do aumento da capacidade coercitiva do Estado e mais do aprimoramento da forma como essa capacidade é empregada”Anuário Brasileiro de Segurança PúblicaTaxa de mortes nas cidadesEntre os municípios com mais de 100 mil habitantes, a maior taxa de mortes decorrentes de intervenção policial foi registrada em Porto Seguro (BA), com 32,3 mortes por 100 mil habitantes. Veja as 10 maiores taxas:Porto Seguro (BA): 32,3 por 100 mil habitantes (59 mortes);Eunápolis (BA): 29,7 por 100 mil habitantes (36 mortes);Marituba (PA): 28,5 por 100 mil habitantes (34 mortes);Itabaiana (SE): 22,0 por 100 mil habitantes (24 mortes);Simões Filho (BA): 19,1 por 100 mil habitantes (23 mortes);Jequié (BA): 18,9 por 100 mil habitantes (32 mortes);Lauro de Freitas (BA): 18,2 por 100 mil habitantes (40 mortes);Luís Eduardo Magalhães (BA): 17,7 por 100 mil habitantes (21 mortes);Japeri (RJ): 17,6 por 100 mil habitantes (18 mortes);Macapá (AP): 17,2 por 100 mil habitantes (84 mortes);Em alguns municípios, a participação das intervenções policiais no total de mortes violentas é predominante. Em Itabaiana (SE), por exemplo, 75% das mortes violentas registradas em 2025 decorreram de ações policiais, segundo o Anuário.Homens jovens e negros concentram vítimasOs dados analisados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a letalidade policial atinge principalmente homens jovens e negros.Em 2025, 97% das vítimas eram do sexo masculino. A taxa entre homens chegou a 6,19 mortes por 100 mil habitantes, crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Entre as mulheres, o índice permaneceu estável em 0,04 por 100 mil habitantes.A faixa etária mais atingida é a de 20 a 29 anos, responsável por 46% das mortes decorrentes de intervenção policial registradas no país.O levantamento também mostra uma disparidade racial. A taxa de letalidade policial entre pessoas negras foi de 3,5 mortes por 100 mil habitantes, enquanto entre pessoas brancas ficou em 1,0 por 100 mil. Isso significa que negros morreram em intervenções policiais em uma proporção 3,5 vezes maior que a registrada entre brancos.Além da diferença entre os grupos, o Anuário mostra que a taxa entre pessoas negras cresceu 3,5% entre 2024 e 2025, enquanto permaneceu estável entre a população branca.