Preços das casas sobem 17,8%, mas vendas recuam 8,7% no início de 2026

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O mercado habitacional português começou 2026 com menos casas transacionadas, mas preços mais elevados. No primeiro trimestre, foram vendidos 37.745 alojamentos, num montante global de 9.921 milhões de euros, segundo a mais recente Conjuntura da Construção, publicada pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN).Comparativamente com o mesmo período de 2025, o valor das transações aumentou 3,2%, apesar de o número de alojamentos transacionados ter diminuído 8,7%. Face ao último trimestre de 2025, a contração foi ainda mais acentuada: o valor das vendas recuou 7,9% e o número de transações caiu 12,4%. Preços das casas aumentam 17,8%A redução das vendas não travou a valorização do mercado residencial. O Índice de Preços da Habitação aumentou 17,8% em termos homólogos e avançou 3,8% comparativamente com o quarto trimestre de 2025.Os números confirmam, segundo a AICCOPN, a manutenção da pressão sobre os preços da habitação, num mercado em que se vende menos, mas onde o valor dos imóveis continua a crescer. Crédito à habitação cresce 11,9%O financiamento bancário continuou a apoiar o mercado. Até ao final de abril, os bancos concederam 7.778 milhões de euros em novos créditos à habitação, excluindo renegociações, o que representa um crescimento homólogo de 11,9%.A evolução aconteceu num contexto de relativa estabilização das taxas de juro, que se mantiveram praticamente inalteradas desde o início do ano.Também o crédito concedido às empresas da construção aumentou. Em abril, o respetivo stock atingiu 7.220 milhões de euros, mais 12,1% do que no mesmo mês de 2025. Licenciamento habitacional perde dinamismoOs dados do licenciamento municipal revelam, contudo, comportamentos diferentes entre a construção residencial e a não residencial.Até ao final de abril, a área licenciada para edifícios habitacionais diminuiu 7,2% em termos homólogos. Em sentido contrário, a área destinada a edifícios não residenciais aumentou 18,2%.Entre janeiro e abril foram licenciados 14.099 novos alojamentos, menos 1% do que no período homólogo. Apesar da descida, o número manteve-se próximo do registado nos primeiros quatro meses de 2025. Consumo de cimento aumenta 4,6%O consumo de cimento no mercado nacional atingiu 1.713,2 mil toneladas até ao final de maio, representando um crescimento homólogo de 4,6%.No mercado de trabalho, estavam registados 15,2 mil desempregados provenientes da construção em maio, menos 17,1% do que no mesmo período do ano anterior. Concursos de obras públicas caem 44%As obras públicas apresentaram uma evolução negativa. O valor dos concursos promovidos até maio totalizou 2.906 milhões de euros, uma redução de 44% face aos 5.219 milhões registados no mesmo período de 2025.A AICCOPN explica que esta descida resulta, em grande medida, do efeito de comparação provocado pelo concurso extraordinário para a Linha Violeta do Metro de Lisboa, lançado no período homólogo.O valor dos contratos de empreitadas de obras públicas comunicados ao Portal BASE também diminuiu, embora de forma menos expressiva. Até maio, foram reportados 1.788 milhões de euros em contratos, uma quebra homóloga de 23%. Construção deverá crescer 4,4% em 2026Apesar dos sinais de abrandamento no licenciamento habitacional e nas obras públicas, a AICCOPN prevê que a produção global do setor da construção cresça 4,4% em 2026.A produção de edifícios residenciais deverá aumentar igualmente 4,4%, enquanto o segmento não residencial poderá crescer 2%. A engenharia civil apresenta a previsão mais elevada, com um avanço estimado de 5,5%.O retrato da construção no início de 2026 é, assim, marcado por diferentes velocidades: os preços das casas, o crédito e o consumo de cimento continuam a crescer, enquanto o número de transações, o licenciamento habitacional e a contratação de obras públicas apresentam uma evolução negativa.O conteúdo Preços das casas sobem 17,8%, mas vendas recuam 8,7% no início de 2026 aparece primeiro em Revista Líder.