O futuro dos juros, a meta de inflação e a predominância do dólar são temas que circulam quando o tópico é a economia dos Estados Unidos (EUA). Em painel na Expert XP, Luis Oliveira, vice-presidente executivo da gestora PIMCO, defendeu que três grandes forças que devem ter impacto nos próximos anos: geopolítica; velocidade de fragmentação e a Inteligência Artificial (IA).Para ele, os efeitos dos desdobramentos geopolíticos se tornam cada vez mais evidentes e figuram uma fonte adicional de volatilidade difícil de precificar, enquanto a velocidade da fragmentação, com países priorizando a própria resiliência econômica em detrimento de eficiência, também entra no radar. Para Oliveira, no entanto, o grande elefante na sala é justamente a Inteliência Artificial, que deve ditar o ritmo econômico nos próximos três a cinco anos, com expectativa de US$ 14 trilhões de capex (investimentos) acumulados ao final desse período.Diante deste cenário, ele pondera que o dólar deve ter algum enfraquecimento nos próximos anos, “mas por falta de um substituto melhor, deve continuar como moeda de referência”. Dólar mais fraco?A perda de predominância do dólar americano paira no radar do mercado, com diversificações de reservas e atratividade de mercados emergentes mexendo com a hegemonia da moeda. Apesar do movimento, Paulo Eduardo Cllini, head de investimentos renda fixa e multimercados na Franklin Templeton, avaliou em sua participação que “o caminho para o dólar perder força é relativamente estreito” e a moeda se beneficia de extremos.Quando o extremo configura um cenário negativo, como os receios que surgiram no início da guerra com o Irã, ele pondera que existe um pânico no mercado, a aversão ao risco cresce e o dólar volta como uma referência de segurança, enquanto, de um lado positivo, a colheita dos frutos da IA também é capaz de beneficiar o dólar.“Ao caminhar nesse caminho relativamente estreito, pode ser que o dólar perca força, mas se flertar com esses cenários, seja com a explosão da guerra ou boom da IA, o dólar não perde força”, avalia. Juros e inflação Andressa Castro, economista-chefe da BNP Paribas Asset recorda que o mercado precificava até dois cortes de taxas nos juros dos EUA, mas perspectivas de inflação e juros foram impactadas pela IA e guerra com o Irã. Castro argumenta que para convergir a inflação para a meta, basta calibrar os juros. “Inflação é uma escolha do Banco central, mas claro que você paga um preço por isso”.Ela pondera que o patamar atual dos juros está relativamente restritivo e que a própria inflação do Federal Reserve aponta para cerca de 2,5% no ano que vem e em 2028 deve convergir para a meta. Diante desse cenário, a economista afirma que existe uma escolha do Fed sobre se a calibragem dos juros será voltada a conversão para a meta já no ano que vem ou se a decisão será de deixar o processo ocorrer de forma gradual. Em contraponto, Paulo Clini levanta dúvidas sobre uma convergência da inflação para a meta sem uma ação do Federal Reserve. Na leitura dele, os juros não estão restritivos, como mostra o desempenho do mercado de trabalho e condições financeiras no mercado de capitais.“É fundamental que o Fed aja para trazer essa inflação para baixo”, afirma. Ao olhar as condições correntes, ele não vê o juro restritivo o suficiente para isso.