O Irã rejeitou na quinta-feira, 23, uma proposta de cessar-fogo elaborada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e apresentada a Teerã pelo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi. A tentativa frustrada de mediação ocorre em meio à ameaça de ampliação da ofensiva americana contra o território iraniano e aos novos ataques do Irã contra aliados de Washington no Oriente Médio.Autoridades iranianas disseram ao jornal The New York Times, sob condição de anonimato, que al-Zaidi visitou o Irã após retornar de um encontro com Trump na Casa Branca, em 14 de julho. Um funcionário iraquiano afirmou ao jornal, também sob condição de anonimato, que o premiê teria levado uma proposta a Teerã.As autoridades iranianas não deram detalhes sobre o conteúdo da proposta, mas afirmaram que ela era a única oferta apresentada até o momento e que o governo iraniano não tinha interesse em um acordo temporário que deixasse em aberto a questão do controle do Estreito de Ormuz.Após a publicação da reportagem, o gabinete de imprensa de al-Zaidi negou a informação em um comunicado divulgado nas redes sociais, sem fornecer mais detalhes.A imprensa iraniana informou que al-Zaidi viajou a Teerã com uma delegação de altos funcionários para se reunir com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian; o presidente do Parlamento e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf; e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.Araghchi afirmou à emissora estatal iraniana que Teerã e Bagdá, que compartilham uma fronteira, têm interesses econômicos, políticos e de segurança em comum, além de laços estreitos, e que a visita de al-Zaidi era significativa diante das atuais circunstâncias na região.O chanceler disse que o primeiro-ministro havia compartilhado suas “opiniões e impressões” sobre a viagem a Washington, mas afirmou que Teerã e Washington já tinham mediadores suficientes. “O problema não é transmitir mensagens. O problema é a postura dos EUA, que é irracional, gananciosa e controladora”, acrescentou.Novos ataques e expansão do conflitoIrã e EUA vêm aumentando gradualmente as tensões nas últimas semanas, com forças americanas bombardeando instalações militares e infraestruturas como ferrovias, aeroportos, pontes e portos marítimos. O Irã, por sua vez, tem realizado ataques contra aliados americanos no Oriente Médio.Na manhã desta sexta-feira, 24, as Forças Armadas do Irã afirmaram, em comunicado divulgado pela imprensa estatal, que lançaram ataques com drones contra tanques de combustível, armazéns, silos e quartéis no Bahrein; “hangares de aeronaves, hangares de manutenção e quartéis” na Jordânia; e “depósitos de equipamentos militares americanos” no Kuwait. Não houve relatos de danos ou vítimas nos países.O Ministério do Interior do Bahrein afirmou que as sirenes de emergência foram acionadas pelo menos duas vezes e pediu à população que se abrigasse. Já as Forças Armadas da Jordânia informaram que seus sistemas de defesa aérea e aeronaves da Força Aérea interceptaram sete mísseis e seis drones iranianos e que a ação “não resultou em vítimas nem danos materiais”.No Iraque, forças de segurança lideradas pelos EUA abateram cinco drones carregados com explosivos sobre a cidade de Erbil, no norte do país, onde tropas americanas estão instaladas. Não houve relatos de feridos ou danos. Colunas de fumaça foram vistas próximas e dentro de uma base no aeroporto de Erbil, mas o local continuou funcionando normalmente, segundo a imprensa estatal iraquiana.Dois funcionários iranianos disseram ao The New York Times que as Forças Armadas do Irã estavam antecipando – e se preparando para – a possibilidade de expansão da guerra caso Trump cumpra suas ameaças de atacar Teerã e infraestruturas críticas.Segundo as fontes, caso isso ocorra, o Irã ampliará o conflito regionalmente, inclusive com ataques contra Tel Aviv e ao pedir que os rebeldes houthis, aliados do país no Iêmen, fechem o Estreito de Bab al-Mandeb, uma rota marítima estratégica no Mar Vermelho.O porta-voz dos houthis, Mohammed Abdusalam, afirmou nesta sexta-feira que o grupo não pretende fechar Bab al-Mandeb, dias após anunciar um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita.“Não há fechamento de Bab al-Mandeb, como alguns estão sugerindo”, disse Abdusalam, que também é um dos principais negociadores dos houthis. Ele acrescentou que a posição dos rebeldes era “limitada a um bloqueio marítimo que afeta apenas o lado saudita”. (Com agências internacionais).