A nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e a escalada dos conflitos no Oriente Médio aumentam a volatilidade do mercado, sobretudo no segmento de ações.No entanto, a principal preocupação no Brasil segue sendo o quadro fiscal, que paradoxalmente pode tornar o investidor conservador mais exposto ao risco, disse Carlos Lebelen, sócio da Libra Investimentos, em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube.Assista à íntegra abaixo.Para o especialista, as iniciativas recentes do governo na área fiscal aumentam a dúvida acerca das contas públicas, tornando mais difícil do mercado enxergar disciplina fiscal com clareza, sobretudo em ano eleitoral. Na visão dele, isso configura um risco para o investidor conservador que, ao concentrar a carteira em renda fixa, se expõe à dívida pública e ao crédito privado.Como resultado, diz Lebelen, é que o “Banco Central se encontra em um dilema”: precisa considerar a pressão inflacionária e as expectativas de um fiscal menos rígido, ao mesmo tempo em que a economia brasileira tem um tempo limite para conviver com juros elevados.Mesmo reconhecendo essa tensão, Lebelen acredita que cortes discretos de juros devem continuar, mas que só se tornarão consistentes se o mercado enxergar mais conservadorismo e disciplina fiscal do governo. Isso, em seu entendimento, dependerá do rumo político e das decisões do próximo governo.Decisões de investimentoAo discutir estratégias de investimento, Lebelen aconselha os clientes a construir um portfólio resiliente enquanto a incerteza existir. Na renda fixa, ele prefere manter posição mais curta e líquida, com foco em pós-fixados de curto prazo e caixa, sobretudo em meio ao atual endividamento global.Em commodities, o especialista também aposta em metais, mencionando que bancos centrais estão comprando-os em detrimento de títulos americanos. Para ele, o ouro funciona como instrumento de preservação de poder de compra e como possível fonte de oportunidade em momentos incertos.Já em relação às ações, apesar do receio de crise, ele diz ver oportunidade e ter preferência por equity em vez de dívida, desde que a seleção seja feita em setores que considera resilientes. Ele cita exemplos como Petrobras, Vale, Suzano e também o setor bancário.*Sob supervisão de Kaype Abreu