O médico Aldemir Humberto Soares deixou a coordenação da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo em dezembro de 2025, logo após o governo lançar um chamamento público para contratação de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas para o Hospital Emílio Ribas. No mês seguinte, o ex-coordenador assumiu a Fundação ABC (FUABC), que venceria a disputa para prestar o serviço em março de 2026. Leia também São PauloTarcísio diz que Flávio Bolsonaro não tem “nada a ver” com tarifaço dos EUA São PauloMilei será homenageado por Tarcísio com a mais alta honraria de SP São PauloPL aposta em “fator Tarcísio” para aliança nacional com Republicanos Tácio LorranMulher de vice de Tarcísio declara R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo e retifica para R$ 47 mil O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga o caso como “ofensa ao princípio da impessoalidade, da moralidade e da primazia do interesse público” e destaca que concursos públicos já estavam homologados à época da contratação da entidade comandada pelo ex-coordenador da Secretaria de Saúde ser chamada para gerenciar a terceirização de profissionais de saúde.“Causa ainda mais estranheza que o Coordenador do serviço de saúde, Dr. Aldemir H. Soares, que assinou os contratos para a terceirização da enfermagem, fisioterapia e médicos de UTI, mesmo havendo concurso público homologado de médicos e enfermeiros, tenha sido contratado pela Fundação ABC como seu presidente para o biênio de 2026/2027, justamente quando a Fundação logrou ser a escolhida como terceirizada para a prestação de serviço no Hospital Emílio Ribas, em chamamento que foi autorizado em dezembro de 2025”, diz parte da investigação que tramita no MPSP.O Governo do Estado de São Paulo disse que o processo foi conduzido “em conformidade com a legislação vigente” (veja nota abaixo). O governo falou sobre a autorização da contratação de 409 concursados desde 2023, mas não respondeu sobre um prazo para o chamamento de novos profissionais que passaram por concurso.A Fundação ABC disse que a suspeita de conflito de interesses “não encontra respaldo na cronologia dos fatos”.“Cumpre destacar que a contratação da FUABC para a prestação de serviços no Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo ocorreu posteriormente, por meio de chamamento público que contou com a participação de diversas organizações sociais de saúde. A FUABC foi selecionada por atender aos critérios técnicos estabelecidos no Edital, em processo concluído apenas em março de 2026, quando seu presidente já não integrava a estrutura do Governo do Estado”, afirma a entidade em nota.Funcionários já demonstraram descontentamento com o sucateamento do Hospital Emílio Ribas. Médicos anunciaram uma paralisação em 26 de maio.O que diz o governoEm nota, o governo nega a suspeita de que tenha ignorado os princípios da administração pública. Leia o texto na íntegra:“A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que o processo de chamamento público para o convênio do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER) foi conduzido em conformidade com a legislação vigente, observando critérios técnicos e os princípios da administração pública.A autorização para a abertura do chamamento foi publicada em dezembro de 2025. O edital foi lançado em janeiro de 2026, o resultado do certame foi publicado em março e a vigência do convênio teve início apenas em abril de 2026. Dessa forma, a apuração do resultado do chamamento e a celebração do convênio ocorreram após a exoneração do referido coordenador da Pasta.A Pasta ressalta que, desde 2023, autorizou a contratação de 409 concursados, entre médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde. Além disso, outros 141 profissionais foram transferidos de outras unidades para o IIER no mesmo período.Mesmo com esses esforços, a contratação complementar por meio de chamamento público mostrou-se necessária para garantir a continuidade da assistência e a manutenção dos serviços prestados pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional em doenças infectocontagiosas”