Vale pedirá destituição de conselheiro por vazamento de informações

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O conselho de administração da Vale decidiu aplicar a sanção de destituição ao conselheiro Marcelo Gasparino da Silva após uma investigação externa confirmar o vazamento de informações confidenciais relacionadas a uma reunião do colegiado.A decisão foi anunciada em fato relevante divulgado pela mineradora depois das 22h desta quarta-feira (22), poucas horas após Gasparino ser derrotado na disputa pela presidência do conselho de administração da companhia.Segundo a Vale, o vazamento envolveu informações relativas à reunião do conselho realizada em 19 de junho. A apuração foi conduzida por um escritório externo independente, contratado pelo próprio colegiado, e concluiu que o episódio configurou desvio de conduta nos termos das políticas internas da mineradora. Leia Mais Graphcoa vê mercado ocidental como prioridade e espera licenças em 2026 Vale elege Ollie para presidência do conselho e Ieda para cadeira vaga Vale elege Ollie para presidência do conselho e Ieda para cadeira vaga A decisão acompanhou recomendações do CARE (Comitê de Auditoria e Riscos) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade da Vale.Gasparino, no entanto, ainda não perdeu formalmente a cadeira no conselho. Como foi eleito pelos acionistas, sua destituição precisa ser aprovada em uma nova AGE (Assembleia Geral Extraordinária), que ainda será convocada pela companhia.O conselho também determinou o afastamento imediato de Gasparino dos dois comitês de assessoramento dos quais fazia parte: o Comitê de Indicação e Governança e o Comitê de Pessoas e Remuneração.Na prática, ele permanece como conselheiro até a deliberação dos acionistas, mas deixa de participar dos fóruns responsáveis por preparar discussões sobre governança, composição do colegiado, sucessão e remuneração dos principais executivos da companhia.A Vale não informou qual conteúdo confidencial foi vazado, para quem as informações foram repassadas, quando a apuração começou ou se Gasparino apresentou defesa durante o processo.No entanto, caso ocorre após uma sequência de informações internas da Vale ter sido revelada pela imprensa nas últimas semanas. Reportagens detalharam as discussões e o resultado da reunião do conselho de 19 de junho, a resistência da maioria do colegiado à tentativa da Previ de retirar Daniel Stieler, as candidaturas de Ollie e do próprio Gasparino e articulações atribuídas a integrantes do governo para influenciar a disputa.A repercussão chegou ao Congresso, onde lideranças passaram a falar na abertura de uma CPI para investigar uma suposta interferência estatal na mineradora. A Vale, porém, não informou se alguma dessas revelações integram especificamente o vazamento atribuído a Gasparino.A companhia afirmou que convocará a assembleia assim que forem concluídos os trâmites necessários. O encontro também deverá deliberar sobre “outras matérias correlatas”, que não foram detalhadas no fato relevante.A decisão encerra um dia de forte disputa na governança da Vale. Mais cedo, os acionistas elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para comandar o conselho.Ollie recebeu 1,977 bilhão de votos favoráveis, contra 1,065 bilhão destinados a Gasparino. O candidato derrotado também registrou 1,190 bilhão de votos contrários, número superior ao apoio recebido por sua candidatura.Na mesma assembleia, Ieda Gomes Yell foi eleita para ocupar a cadeira deixada por Daniel Stieler, que renunciou ao conselho no início de julho.