Ministra da França pede demissão e volta atrás por crise com pesticidas

Wait 5 sec.

A ministra do Meio Ambiente da França, Monique Barbut, anunciou nesta quarta-feira (22) que deixaria o governo em protesto contra a aprovação de uma lei que reabre caminho para o uso de pesticidas controversos no país. Horas depois, porém, voltou atrás após o presidente Emmanuel Macron rejeitar seu pedido de demissão e pedir que ela permanecesse no cargo.A reviravolta acontece em meio a um dos debates ambientais mais sensíveis da França nos últimos anos: a possível reintrodução de pesticidas proibidos no país, mas autorizados pela União Europeia, após pressão de setores do agronegócio e protestos de agricultores.Pela manhã, Barbut afirmou, em uma publicação no LinkedIn, que as condições para continuar no governo “deixaram de existir” depois que o Parlamento aprovou um projeto de lei agrícola que permite, em caráter excepcional, o uso da acetamiprida e da flupiradifurona em algumas culturas. Leia Mais Vídeo: Macron e premiê da Armênia fazem dueto musical Quando o fertilizante vira ativo climático BASF conclui aquisição da AgBiTech, de biológicos Segundo o gabinete da ministra, ouvido pelo jornal Le Monde, ela chegou a apresentar formalmente sua renúncia a Macron. O presidente, no entanto, recusou o pedido e pediu que Barbut continuasse à frente da pasta, argumentando que sua atuação é importante diante da urgência da agenda climática. A ministra aceitou permanecer no cargo.O projeto de lei aprovado pelo Parlamento autoriza a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho a liberar, sob condições, o uso da acetamiprida em plantações de avelã e da flupiradifurona em cultivos de beterraba-açucareira, maçã e cereja. A autorização, caso concedida pela agência, terá validade máxima de três anos.A acetamiprida pertence ao grupo dos neonicotinoides, pesticidas associados por diversos estudos a impactos sobre abelhas e outros polinizadores. A França proibiu o produto em 2016 com base no princípio da precaução, mas produtores rurais afirmam que a restrição reduziu sua competitividade em relação a outros países europeus onde a substância continua permitida.A proposta divide o país. Ambientalistas, organizações como a Greenpeace e sindicatos que representam pequenos agricultores afirmam que a medida ignora evidências científicas sobre possíveis impactos à biodiversidade e à saúde humana. Já representantes da indústria açucareira argumentam que os pesticidas são necessários para proteger as lavouras contra pulgões, responsáveis por perdas nas safras de beterraba nos últimos anos.A controvérsia não é nova já que, em 2024, uma tentativa semelhante de reintroduzir a acetamiprida foi barrada pelo Conselho Constitucional da França, que considerou insuficientes as salvaguardas previstas no texto. No mesmo ano, uma petição contrária à medida reuniu mais de 2 milhões de assinaturas no site da Assembleia Nacional, o maior número já registrado pela plataforma.