IA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestores

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Inteligência artificial segue no centro das atenções de investidores e executivos, mas a discussão sobre retorno sobre investimento já começa a ganhar contornos mais concretos. E a inflação ainda é o maior risco a ser observado, mesmo com crescimento de produtividade. Essas foram as principais conclusões do painel “Mundo em Movimento: As perspectivas das bolsas globais”, que contou com a presença de Laura Howenstine (Wellington Management), Alastair Pang (Morgan Stanley) e Gina Adams (HB Wealth Management).Leia tambémExpert XP: Agassi surpreende e dá conselho bem-humorado a João FonsecaEm participação na Expert XP 2026, lenda do tênis exaltou o talento do brasileiro e ressaltou a importância de equilíbrio competitivo e maturidade para jovens promessasExpert XP: Quando aprendi a montar times fortes, salto foi exponencial, diz BenchimolAo relembrar os primeiros anos, Benchimol classificou a história da XP como uma sucessão de “milagres”Um dos principais questionamentos que cercam o avanço da IA entre as empresas é se já há maneiras de quantificar os retornos oferecidos, em especial considerando os vultosos investimentos têm sido realizados. Para Gina Adams, da HB Wealth Management, essa análise depende muito mais de quais empresas são observadas e de que forma a tecnologia está sendo incorporada aos negócios.As companhias que utilizam inteligência artificial para transformar suas operações já estão observando resultados positivos, observa Gina, especialmente em termos de crescimento de receita e ganhos de eficiência. Na avaliação dela, parte importante das empresas já começa a perceber efeitos tangíveis desses investimentos.Ela destaca que cerca de 75% das empresas afirmam esperar algum nível de retorno sobre receita decorrente da adoção da IA. Apesar do entusiasmo que envolve o tema, a gestora da HB Wealth Management acredita que o mercado tem mantido uma postura relativamente racional ao avaliar quais companhias realmente conseguem converter investimentos em resultados.No mesmo sentido, Laura Howenstine afirmou que é preciso separar os diferentes grupos de empresas quando se discute inteligência artificial. Para ela, os chamados hyperscalers, como as gigantes de tecnologia que operam data centers massivos, já apresentam um retorno mais consolidado sobre os elevados investimentos realizados em infraestrutura tecnológica.Alastair Pang considera que os retornos sobre os investimentos de capital voltados à inteligência artificial têm sido “incríveis”. Segundo ele, a indústria está se construindo através de uma nova forma de inteligência baseada em tokens, que vem se traduzindo em avanços tecnológicos e oportunidades comerciais.Por isso, Laura não vê paralelos diretos entre o atual ciclo de investimentos em IA e a bolha das empresas de internet do fim dos anos 1990. Na visão dela, existe hoje uma base econômica e operacional mais sólida sustentando o crescimento do setor. E os retornos já demonstram a validade dos investimentos. Para Pang, os investimentos são impulsionados pelo consumo crescente dessa inteligência. Na medida em que empresas e consumidores incorporam mais ferramentas de IA em suas atividades, cresce também a capacidade de transformar tecnologia em receita.O executivo destacou ainda que os últimos seis meses marcaram um importante ponto de inflexão para a indústria, impulsionado pelo avanço da chamada IA agêntica. Segundo ele, a infraestrutura necessária para suportar essa nova fase da tecnologia tem gerado escassez em diferentes partes da cadeia produtiva.Howenstine acredita que a próxima etapa do desenvolvimento da inteligência artificial será caracterizada por uma adoção muito mais ampla em diversos segmentos da economia. Entre os setores com maior potencial de benefício, ela citou bancos, logística, documentação corporativa, atividades administrativas e até mesmo o sistema de saúde dos Estados Unidos.Na avaliação de Gina, o setor financeiro já se destaca como uma das áreas que mais capturaram retorno econômico a partir da IA. Ela observou que as empresas que construíram seus modelos de negócio em torno da inteligência artificial obtiveram benefícios mais significativos do que aquelas que apenas adicionaram ferramentas pontuais ligadas à tecnologia.Ao mesmo tempo, Laura chama atenção para companhias que não são tradicionalmente classificadas como empresas de IA, mas que já começam a capturar valor por meio da adoção da tecnologia. Para ela, essas empresas representam algumas das oportunidades mais interessantes para os investidores.Ao comentar sobre o estágio atual do ciclo de investimentos, Pang afirmou que o mercado não está em uma situação comparável a 1994 nem a 1999, mas sim a algo mais próximo de 1997. Segundo ele, já houve expansão de margens, crescimento dos gastos de capital e aumento do interesse dos clientes em ampliar investimentos relacionados à IA.Ainda assim, Pang acredita que a variável mais importante continua sendo a demanda. Em sua avaliação, a procura por soluções de inteligência artificial está hoje mais forte do que estava apenas um trimestre atrás, o que reforça a sustentação do atual ciclo de crescimento.Esse avanço da demanda por computação vem impulsionando toda a cadeia tecnológica, especialmente os fabricantes de processadores. Para Pang, o aumento da necessidade de capacidade computacional levará a uma demanda cada vez maior por CPUs, GPUs e outros componentes fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial, fortalecendo especialmente o setor de semicondutores.Embora Laura avalie que a trajetória dos semicondutores esteja se tornando menos dependente dos ciclos econômicos tradicionais, Adams considera que ainda existe um componente cíclico relevante no setor. Segundo ela, investidores devem permanecer atentos a possíveis sinais de desaceleração na demanda.Ao mesmo tempo, Gina ressalta que o mercado continua premiando empresas com margens elevadas e maior potencial de retorno, mas vê na inflação o principal risco para os mercados acionários. Laura, por sua vez, considera que a grande oportunidade de investimento está no aumento da produtividade proporcionado pela IA e recomenda uma abordagem global para capturar esses benefícios. Pang conclui que o crescimento sustentável dependerá de portfólios diversificados, capazes de se beneficiar dos múltiplos temas transformados pela inteligência artificial.The post IA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestores appeared first on InfoMoney.