O anúncio dos Estados Unidos de uma nova taxa para cerca de 80 países, incluindo o Brasil, como consequência de uma investigação sobre trabalho forçado, provocou uma reação de várias partes do globo.A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, chamou as justificativas de Washington de “sem fundamentos” e disse que vai buscar esclarecimentos. Os 27 países da União Europeia receberam uma taxa de 10%.“Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas, temos condições de trabalho muito boas para nossos empregados. Portanto, essa justificativa realmente não tem fundamento”, afirmou à Reuters durante reunião da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Manila.Na Noruega, o ministro das Relações Exteriores do país classificou as taxas como “descabidas”. Segundo ele, 67% das exportações serão afetadas. “Discordamos profundamente de toda essa utilização de tarifas que os EUA introduziram contra nós e vários outros países”, destacou Espen Barth Eide à NRK. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que não hesitará em defender os interesses internos, incluindo possíveis medidas retaliatórias. “Se essas tarifas ou outras medidas entrarem em vigor, há uma série de coisas que podemos fazer”, afirmou Carney.A Nova Zelândia também reagiu com indignação e afirmou que busca novos parceiros comerciais. “A investigação dos EUA não forneceu evidências significativas para sustentar alegações em relação ao trabalho forçado. Tarifas não são o caminho – elas aumentam custos e incerteza para as empresas”, explicou o primeiro-ministro Christopher Luxon pelas redes sociais. Leia também Reinaldo AzevedoO novo tarifaço e o que está em jogo nas ordens brasileira e mundial BrasilFlávio sobre tarifas: “Lula está se lixando para produtos brasileiros” BrasilTarifaço: ministro diz que Brasil não abre mão de Lei da Reciprocidade BrasilDurigan reclama de novas tarifas dos EUA: “Deram um jeito na marra” Brasil promete acionar reciprocidadeO governo brasileiro rechaçou a decisão dos Estados Unidos de sobretaxar o país e prometeu acionar “imediatamente” os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade.“Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o governo por meio de nota à imprensa.A medida norte-americana foi divulgada nesta quinta-feira (23/7) pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e trata da investigação contra países que, de acordo com o órgão fiscalizador norte-americano, falharam no combate de mercadorias fabricadas com trabalho forçado.As novas taxas entram em vigor nesta sexta-feira (24/7) e variam entre 10% e 12,5%. O Brasil está no grupo dos que receberam a maior tarifa.