Bolsa Família: beneficiários ocuparam 91% dos empregos criados em 2025

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Os beneficiários do Bolsa Família e pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) concentraram a maior parte das vagas com carteira assinada abertas no Brasil em 2025.Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), indicam que, dos 1,274 milhão de postos formais criados no ano, 1,160 milhão, ou seja, 91%, foram ocupados por esse público.O resultado inclui tanto famílias que recebem o benefício quanto aquelas registradas no CadÚnico, sistema que reúne brasileiros de baixa renda. Para o governo, os números reforçam a inserção produtiva dessa população e contrariam a percepção de que programas de transferência de renda desestimulam o trabalho.A tendência se manteve em 2026. Entre janeiro e maio, o saldo de empregos formais foi de 767 mil vagas. Desse total, 517 mil foram preenchidas por pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família e outras 200 mil por inscritos no CadÚnico que não recebem o benefício. Apenas cerca de 50 mil vagas ficaram com trabalhadores fora desse universo.Ou seja, mais de dois terços das novas vagas formais no período foram ocupadas por pessoas de baixa renda vinculadas a políticas sociais.Vale destacar que o Bolsa Família permite que beneficiários ingressem no mercado de trabalho sem perder imediatamente o auxílio. Isso ocorre por meio da chamada “regra de proteção”, que autoriza a permanência no programa mesmo após o aumento da renda familiar.Nesses casos, o benefício é reduzido gradualmente, desde que a renda por pessoa permaneça dentro de um limite ampliado. A lógica é evitar incentivos ao emprego informal, garantindo uma transição mais segura para famílias que começam a melhorar de renda.Quem são os trabalhadoresO recorte do MTE mostra que a inserção desses trabalhadores no mercado formal tem características bem definidas. Entre os admitidos que integram famílias do Bolsa Família, 61% são mulheres, percentual bem superior ao observado entre trabalhadores fora do Cadastro Único, de 35,8%.Também há maior presença de jovens, cerca de 35% dos contratados nesse grupo têm entre 18 e 24 anos, ante 25% entre aqueles que não estão no cadastro.Do ponto de vista educacional, a maioria possui ensino médio completo. São 69% entre os beneficiários, contra 64% fora do CadÚnico.Por outro lado, a participação de pessoas com ensino superior ainda é baixa, apenas 2,3% dos admitidos nas famílias do Bolsa Família têm graduação, frente a 10,5% entre trabalhadores fora do cadastro.Os dados também evidenciam um recorte racial. Cerca de 70% dos empregados oriundos de famílias que recebem o benefício são pretos ou pardos, a proporção que cai para 56% entre os que não estão no Cadastro Único.Salários mais baixos e menor permanênciaApesar da forte presença nas contratações, os trabalhadores vinculados ao programa ainda enfrentam condições mais precárias no mercado formal.Em maio de 2026, o salário médio de admissão desse grupo foi de R$ 1.901. O valor é inferior ao recebido por inscritos no CadÚnico sem benefício, que foi de R$ 2.076, e significativamente menor que o dos trabalhadores fora do cadastro, de R$ 2.612.Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621,00 mensais.A diferença chega a 37,4% na comparação com quem não está no CadÚnico, indicando que essa população segue concentrada em vagas de menor remuneração.Outro indicador que reforça essa desigualdade é o tempo de permanência no emprego. Trabalhadores de famílias beneficiárias do Bolsa Família ficam, em média, seis meses nos postos formais. Entre os inscritos no CadÚnico, esse período passa de 14 meses, enquanto fora do cadastro supera 20 meses.Segundo a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, o baixo tempo de permanência no emprego pode ser explicado pelos salários mais baixos. Para ela, os trabalhadores saem dos empregos buscando salários mais vantajosos.Além disso, ela também cita os trabalhadores rurais, que são demitidos quando acabam as safras ou os trabalhos nas lavouras, o que faz com que o tempo de permanência seja reduzido.Críticas ao programaO avanço desse público no mercado de trabalho ocorre em meio a críticas recorrentes ao Bolsa Família. Analistas, políticos e figuras públicas sustentam que o programa reduziria o incentivo ao trabalho e estimularia a dependência de benefícios sociais.O MTE contesta essa avaliação e afirma que os dados do Caged mostram o contrário, já que beneficiários continuam buscando emprego e têm participação relevante nas contratações formais.Para a pasta, o cruzamento das bases evidencia que políticas de transferência de renda e geração de emprego podem caminhar juntas, ainda que persistam desafios relacionados à qualidade das vagas, como salários mais baixos e maior rotatividade.De acordo com o ministro Luiz Marinho, os ataques ao programa são inverdades. Ele afirma que o programa não é responsável por retirar mão de obra do mercado.“Eu não consigo entender e não consigo aceitar que uma família tenha como objetivo sobreviver do Bolsa Família. Na verdade, existe muito preconceito. O Bolsa Família é o colchão de proteção social para que ninguém passe fome no país e tiramos o Brasil do mapa da fome por duas vezes”, disse durante coletiva de imprensa para detalhar os dados do Caged de maio.Quem pode fazer parte do Bolsa FamíliaFamílias em situação de pobreza, com renda mensal de até R$ 218 por pessoa;Inscrição obrigatória no Cadastro Único (CadÚnico) com dados atualizados;Famílias com crianças, adolescentes ou gestantes têm prioridade;É preciso cumprir condicionalidades, como frequência escolar e vacinação;Benefício é voltado a famílias de baixa renda em todo o país, inclusive unipessoais. Leia também BrasilZanatta aciona TCU por aumento da população de rua no Bolsa Família BrasilZema diz querer aperfeiçoar Bolsa Família para evitar “imprestáveis” BrasilBolsa Família: Zema diz que só exigirá estudo de homens, e não de mulheres BrasilNova regra garante Bolsa Família enquanto pedido do BPC é analisado