Uma ferramenta alimentada por inteligência artificial criada pela startup brasileira AI Pathology pode agilizar a triagem de lesões de pele a partir de fotos do celular, facilitando a descoberta de câncer de pele. A novidade, intitulada Nevo, utiliza tecnologia fornecida pela Nvidia.Em um projeto realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de Goiás, a solução foi capaz de identificar 75 casos que tiveram diagnóstico confirmado posteriormente via avaliação médica. O recurso foi usado na avaliação de 2.078 trabalhares rurais ao longo de sete meses.Como funciona a IA Nevo?Sem depender de equipamentos especiais para o funcionamento, o sistema analisa as imagens feitas pelo smartphone em busca de lesões de pele que podem representar perigo. A tecnologia automatiza o rastreamento e prioriza os casos clínicos com base no risco estimado de malignidade.A plataforma integra as imagens clínicas com informações contextuais, incluindo a localização da lesão, o histórico médico do paciente e dados demográficos;Na sequência, a IA apresenta uma avaliação imediata e confiável, de acordo com a healtech brasileira, possibilitando a identificação precoce de casos que exigem atenção ou indicação de biópsia;Ou seja, a ferramenta não realiza o diagnóstico, que continua dependendo do profissional médico, ficando responsável por classificar o risco da lesão e encaminhar pacientes para uma avaliação dermatológica;Esse procedimento reduziu o tempo de triagem em 90% na comparação com o método manual, processando mais de 400 imagens por hora, possibilitando sua aplicação em cenários de grandes volumes de atendimento.A plataforma identifica riscos em lesões na pele, mas não fornece diagnósticos. (Imagem: Anastasiia Stiahailo/Getty Images)Para analisar uma imagem clínica em menos de 8 segundos, a IA Nevo usa um ecossistema otimizado por GPUs que fornece o poder computacional exigido para o treinamento e a implementação de modelos de deep learning com padrão médico. No núcleo da tecnologia estão as redes neurais convolucionais (RNCs).Inspirados na organização do córtex visual humano, esses algoritmos conseguem reconhecer variações morfológicas, texturais e estruturais, bem como a distribuição cromática das lesões, identificando características que apontam se elas são benignas ou malignas. A acurácia é superior a 94%, conforme a empresa.Pacientes receberam tratamento gratuitoNa parceria com o Senar de Goiás, os pacientes que a IA classificou como potenciais casos da doença foram encaminhados para profissionais do Instituto Câncer de Pele de Goiânia, passando por avaliação especializada. Essas pessoas receberam tratamento gratuito.A AI Pathology planeja ampliar o uso da Nevo para mais estados, especialmente aqueles com índices elevados deste tipo de câncer e alta incidência solar. No longo prazo, a ideia é desenvolver uma rede global de sistemas assistidos por IA focada na promoção da medicina preventiva e do diagnóstico precoce.Siga no TecMundo e conheça o plano da Anthropic de usar seus modelos avançados de IA para o desenvolvimento de novos medicamentos.