As ONGD portuguesas querem inovar. O maior desafio é crescer

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As Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) em Portugal estão a reforçar o trabalho em parceria, a envolver as comunidades na definição das suas respostas e a apostar em modelos de inovação social. No entanto, continuam a enfrentar dificuldades para transformar essas iniciativas em soluções sustentáveis e de maior escala. A conclusão resulta do estudo ‘A cooperação em transição: Estudo sobre as práticas e tendências que estão a transformar as ONGD em Portugal’, promovido pela área internacional da Fundação ‘la Caixa’ e desenvolvido em parceria com a Stone Soup Consulting.Apresentado no âmbito da 17.ª Conferência Internacional da Sociedade Internacional para a Investigação do Terceiro Setor (ISTR), que decorreu em Lisboa entre 14 e 17 de julho, o estudo traça um retrato das organizações portuguesas dedicadas à cooperação internacional e identifica os principais desafios que o setor enfrenta.Segundo a investigação, 97% das ONGD estabelecem alianças estratégicas, 93% recorrem à escuta ativa das comunidades e cerca de 90% desenvolvem soluções em co-criação com parceiros locais. Apesar disso, apenas 45% implementam processos de prototipagem e só 35% conseguem escalar soluções inovadoras, revelando dificuldades em ampliar projetos considerados bem-sucedidos. Inovação cresce, mas sustentabilidade continua a ser um desafioO estudo conclui que as organizações portuguesas têm vindo a adotar modelos de intervenção cada vez mais participativos e colaborativos. A escuta das comunidades, a co-criação e o trabalho em rede fazem hoje parte das práticas de grande parte das ONGD.Contudo, a capacidade para transformar essas práticas em respostas replicáveis e sustentáveis continua limitada, o que condiciona o aumento do impacto das iniciativas desenvolvidas.A investigação foi realizada entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 e analisa, de forma sistematizada, o estado da inovação social, da avaliação de impacto, das alianças estratégicas e das estratégias de financiamento das ONGD portuguesas. Dependência da ajuda pública mantém-seA sustentabilidade financeira surge como outro dos principais desafios identificados. Embora exista uma maior consciência sobre a necessidade de diversificar as fontes de financiamento, o estudo refere que as organizações continuam fortemente dependentes da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD). A adoção de modelos híbridos de financiamento, investimento de impacto ou parcerias estruturadas com o setor privado continua a ser reduzida.Entre os principais obstáculos apontados pelas organizações encontram-se a falta de informação, a dificuldade em encontrar parceiros adequados e a escassez de capacidade técnica para recorrer a novos instrumentos de financiamento. Monitorização existe, mas avaliação estruturada continua limitadaA investigação conclui ainda que a monitorização dos projetos está amplamente disseminada no setor. No entanto, apenas cerca de 44% das organizações dispõem de sistemas estruturados de Monitorização, Avaliação e Aprendizagem (MEL).Segundo o estudo, esta limitação dificulta a utilização da evidência produzida para melhorar futuras intervenções, demonstrar impacto e apoiar os processos de tomada de decisão.Citada no estudo, Cláudia Pedra, da Stone Soup Consulting, afirma que muitas ONGD portuguesas já incorporaram práticas de inovação social assentes na escuta ativa, na co-criação e nas parcerias. O desafio, acrescenta, passa agora por criar condições que permitam testar, escalar e viabilizar essas soluções, reforçando simultaneamente a produção de evidência e a diversificação dos modelos de financiamento.Parcerias assumem papel central na cooperação internacionalAs alianças estratégicas destacam-se como um dos principais ativos das organizações portuguesas. Cerca de 97% das ONGD afirmam desenvolver parcerias estratégicas e reconhecem que a colaboração entre organizações da sociedade civil, setor público, academia e setor privado será determinante para responder aos desafios da cooperação internacional nos próximos anos.O estudo apresenta também três exemplos de inovação social desenvolvidos por organizações portuguesas. Entre eles encontra-se a Linha de Saúde 24h da Guiné-Bissau, promovida pela VIDA, descrita como o primeiro serviço telefónico gratuito e permanente de saúde do país. Outro dos casos é a Escola de Artes e Ofícios de Bissau, da ACEP, que procura valorizar o conhecimento local para promover a inserção profissional de jovens. O terceiro exemplo corresponde às Academias Girl Move, em Moçambique, que combinam um modelo de sustentabilidade financeira com a integração da sua metodologia de empoderamento feminino no sistema público de ensino. O conteúdo As ONGD portuguesas querem inovar. O maior desafio é crescer aparece primeiro em Revista Líder.