Stablecon EMEA mostra avanço das stablecoins como infraestrutura financeira global

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Realizado em Amsterdã, evento reuniu bancos, empresas de pagamentos, fintechs, reguladores e desenvolvedores para discutir a próxima fase do dinheiro digital.As stablecoins estão deixando de ser vistas apenas como instrumentos utilizados no mercado de criptomoedas para ocupar uma posição cada vez mais relevante na infraestrutura global de pagamentos.Essa foi uma das principais percepções da Stablecon EMEA 2026, realizada nos dias 19 e 20 de maio, em Amsterdã, nos Países Baixos.O evento reuniu representantes de empresas de tecnologia, bancos, redes de pagamentos, provedores de infraestrutura, reguladores, investidores e empreendedores que estão construindo soluções para conectar o sistema financeiro tradicional às redes blockchain.Segundo o balanço divulgado pela organização, mais de 500 líderes do setor, inovadores de fintechs e formuladores de políticas públicas participaram da edição europeia. Mais da metade dos participantes ocupava cargos executivos, e a programação contou com mais de 40 sessões distribuídas ao longo de 16 horas de conteúdo.A dimensão do evento também pôde ser observada nas mais de 1.765 reuniões de 30 minutos realizadas durante os dois dias de conferência. Os conteúdos transmitidos digitalmente ultrapassaram 40 mil visualizações, ampliando o alcance das discussões para além do público presente em Amsterdã.Mais do que discutir o crescimento do mercado, os painéis mostraram que o debate começa a se concentrar em uma questão prática: como transformar as stablecoins em uma infraestrutura capaz de operar em escala, com segurança, liquidez, interoperabilidade e conformidade regulatória.Stablecoins avançam nos pagamentos globaisDurante os dois dias de evento, um dos temas mais presentes foi o uso das stablecoins em pagamentos internacionais e na movimentação de recursos entre diferentes mercados.Transferências entre países ainda dependem, em muitos casos, de uma estrutura composta por bancos correspondentes, intermediários locais, diferentes sistemas de liquidação e horários bancários limitados.As stablecoins aparecem nesse contexto como uma alternativa para movimentar valor com maior velocidade e disponibilidade, inclusive entre mercados cujas infraestruturas financeiras ainda possuem pouca integração.No entanto, as discussões em Amsterdã mostraram que a blockchain representa apenas uma parte da solução.Para que uma operação internacional funcione de ponta a ponta, também é necessário garantir liquidez nas moedas locais, integração com sistemas bancários, conversão entre ativos digitais e moedas fiduciárias, mecanismos de compliance e capacidade operacional para atender às regras de diferentes jurisdições.O mercado começa, portanto, a tratar as stablecoins menos como um produto isolado e mais como uma camada de liquidação que pode ser incorporada às operações de bancos, fintechs, empresas de remessas, plataformas de câmbio e provedores de pagamentos.Essa mudança esteve refletida nos próprios temas da conferência, que incluíram a integração das stablecoins aos sistemas bancários tradicionais, a reconstrução dos pagamentos internacionais e das remessas, a interoperabilidade entre redes e o uso do dinheiro programável em novos modelos financeiros.Regulação passa a fazer parte da infraestruturaOutro ponto recorrente foi a importância da regulação para o avanço institucional do setor.Na Europa, o debate ocorre em meio à implementação do Markets in Crypto-Assets Regulation, o MiCA, marco que estabeleceu regras comuns para criptoativos, emissores e prestadores de serviços relacionados aos ativos digitais.Entre outros pontos, o regime europeu estabelece exigências relacionadas à governança, à liquidez, à composição das reservas e à capacidade dos emissores de atender aos pedidos de resgate dos detentores de tokens.A percepção apresentada ao longo do evento foi de que a regulação já não deve ser vista somente como uma possível limitação ao mercado. Para empresas interessadas em trabalhar com bancos, fintechs reguladas e grandes instituições, ela passou a representar uma condição para o crescimento.A adoção institucional depende não apenas de velocidade e redução de custos, mas também da capacidade de demonstrar como os recursos são protegidos, onde as reservas estão depositadas, quem realiza a custódia e quais entidades são responsáveis por cada etapa da operação.Essa mudança também influencia a forma como as empresas do setor se apresentam. Termos como segurança, governança, resiliência operacional, compliance e infraestrutura institucional passaram a ocupar mais espaço do que as narrativas tradicionalmente associadas à especulação com criptoativos.Na Europa, o debate sobre a digitalização do dinheiro também passa por duas frentes complementares: o desenvolvimento de um euro digital pelo Banco Central Europeu e o avanço das stablecoins privadas denominadas em euro.Enquanto a moeda digital do banco central ainda está em fase de desenvolvimento, stablecoins como EURC e EUR CoinVertible já vêm sendo exploradas em pagamentos internacionais, mercados de câmbio on-chain, operações de tesouraria, liquidação de ativos tokenizados e gestão de liquidez.O euro digital, por sua vez, seria uma forma eletrônica de dinheiro público emitida pelo banco central, destinada a complementar as notas, moedas e soluções privadas de pagamento.A coexistência dessas iniciativas mostra que a transformação da infraestrutura financeira europeia deverá envolver tanto soluções públicas quanto instrumentos privados baseados em blockchain.Bancos e empresas tradicionais se aproximamA presença de representantes de empresas como Visa, Deutsche Bank, Coinbase, Mastercard, Fireblocks e WalletConnect reforçou outro movimento observado durante a Stablecon: a aproximação entre o sistema financeiro tradicional e as infraestruturas baseadas em blockchain.Entre os palestrantes estavam executivos responsáveis por áreas de criptoativos, ativos digitais, moedas e blockchain dentro de algumas das maiores instituições financeiras e empresas de tecnologia do mundo.A participação dessas instituições mostra que as stablecoins passaram a fazer parte da agenda estratégica de empresas que, até poucos anos atrás, mantinham uma postura mais cautelosa em relação ao mercado de ativos digitais.Isso não significa, necessariamente, que os sistemas financeiros existentes serão substituídos de maneira imediata.O cenário discutido em Amsterdã aponta para uma integração gradual, na qual as stablecoins funcionam como uma nova camada de liquidação, enquanto bancos, instituições de pagamento e fintechs continuam responsáveis pelo relacionamento com clientes, pelo compliance e pela conexão com as moedas locais.Nesse modelo, a tecnologia blockchain pode operar nos bastidores, sem que o usuário final precise necessariamente saber qual rede, stablecoin ou provedor foi utilizado para concluir determinada transação.Empreendedores enxergam sinais positivosA presença de fundadores e desenvolvedores também mostrou que o setor permanece em uma fase intensa de construção.Jack Chong, CEO da Checker, destacou o ambiente positivo encontrado durante o evento:“Great event. Really good signals and excited to meet fellow builders.”A declaração resume parte da percepção observada durante a Stablecon EMEA. Apesar dos desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos, existe um sentimento crescente de que as stablecoins estão avançando para uma etapa mais madura.O foco já não está apenas em demonstrar que a tecnologia funciona. A disputa agora envolve descobrir quais empresas conseguirão desenvolver produtos confiáveis, operar em diferentes mercados e conectar as redes blockchain às necessidades reais das instituições e de seus clientes.De Amsterdã para WashingtonAs discussões iniciadas durante a Stablecon EMEA representam apenas o começo de um debate que deverá ganhar ainda mais força nos próximos meses.A próxima edição do evento será realizada entre os dias 9 e 11 de setembro de 2026, na região de Washington, D.C.Se Amsterdã evidenciou o avanço das stablecoins como infraestrutura para pagamentos, liquidação e serviços financeiros, Washington deverá aprofundar as discussões sobre regulação, integração institucional e o papel de bancos, empresas de pagamentos e autoridades públicas na construção da próxima geração do sistema financeiro.O debate, portanto, está longe de terminar. A próxima parada será nos Estados Unidos, onde o setor voltará a se reunir para discutir os caminhos regulatórios, tecnológicos e comerciais de um mercado pujante, em rápida expansão e cada vez mais relevante para o futuro das finanças globais.Fonte: Stablecon EMEA mostra avanço das stablecoins como infraestrutura financeira globalVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.