Análise: Candidatos iniciam convenções com palanques em aberto

Wait 5 sec.

As convenções partidárias tiveram início nesta segunda-feira (20), marcando oficialmente a largada do calendário eleitoral definido pelo TSE. O momento exige que os partidos saiam da fase de especulações e formalizem candidatos, alianças e estratégias de campanha.Contudo, no WW desta segunda-feira (20), os analistas apontaram que o cenário atual apresenta um número incomum de indefinições para esta etapa do processo.“Em eleições anteriores, a gente já tinha definições um pouco mais acertadas, agora não. O PT enfrenta dificuldade de apoio nos maiores colégios eleitorais, enquanto que Flávio Bolsonaro ainda está em busca de uma aliança nacional”, observou William Waack. Sudeste é a única região do país que perdeu eleitores desde 2022, diz TSE Eleições 2026: O que são convenções partidárias? Eleitores podem pedir voto em trânsito a partir de hoje; veja como alterar Nacionalmente, o PT deve manter uma coligação semelhante à de 2022, com a adição do PDT no primeiro turno ao lado do PSB.O partido lançou 13 candidatos a governador e está na cabeça de chapa nos dois maiores colégios eleitorais: São Paulo e Minas Gerais. No entanto, o cenário para os candidatos é considerado difícil.Em São Paulo, Fernando Haddad enfrenta dificuldades para convencer o eleitorado do interior do estado. Em algumas pesquisas, o ex-ministro da Fazenda aparece derrotado no primeiro turno para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).Em Minas Gerais, o candidato do PT ao Palácio Tiradentes é o deputado e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias. Ele era apenas a terceira opção do partido, após as desistências de Rodrigo Pacheco (PSB) e Marília Campos (PT).Do lado oposto, Flávio Bolsonaro (PL) também enfrenta obstáculos consideráveis. Em Minas Gerais, a situação permanece indefinida: Flávio queria o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao governo com o PL na vice, mas o cenário não se concretizou.Em São Paulo, Flávio garantiu o apoio da Federação União Progressista, mas não consolidou alianças no âmbito nacional. Entre os partidos cotados para compor a aliança nacional estão o União Brasil, o PP e o Republicanos.A vaga de vice na chapa de Flávio ainda está em aberto, com disputa principalmente entre Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro, e da ex-ministra Tereza Cristina.A decisão depende do desfecho das negociações nacionais. Os diretórios partidários, por sua vez, afirmam preferir a neutralidade, deixando os diretórios estaduais firmarem acordos.Fatores externosPara o CEO da consultoria Dharma Politics, Creomar de Souza, o cenário revela as fragilidades dos principais nomes em disputa. Segundo ele, o PT fracassa em fazer qualquer tipo de atração para o centro político, enquanto o PL tem como principal dilema a própria figura de Flávio Bolsonaro.“O filho do ex-presidente partiu do princípio de que o apoio deveria vir como em um esforço gravitacional. O problema é que, no meio desse caminho, surgiram elementos que geram arranho de imagem e alguma incerteza”, destacou Souza.O analista destacou ainda o impacto do escândalo do Banco Master e das sanções americanas como variáveis que aumentam o grau de imprevisibilidade do pleito.Segundo ele, esses fatores fazem com que grupamentos políticos e partidários prefiram aguardar antes de aderir ao palanque de Flávio Bolsonaro. “Ou fazer isso em um eventual segundo turno”, destacou.Minas Gerais como termômetroO diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, reforçou a importância de Minas Gerais, descrito como “o grande estado pêndulo do Brasil”. Ele lembrou que, em 2018, Jair Bolsonaro venceu no estado com 58% dos votos no primeiro turno, enquanto Lula, em 2022, obteve cerca de 50% no segundo turno.“Isso reforça a cultura de Minas Gerais como um termômetro do que acontece no país. E você vê uma dificuldade tanto de Lula, que partiu com um ‘plano C’ [para o governo do estado], quanto de Flávio, que não tem a sua figura preferida, que é o Cleitinho, como candidato, que não se definiu a menos de 90 dias da eleição”, destacou Rittner.Ele também chamou atenção para o desmonte de palanques importantes para a campanha de Flávio, especialmente no Rio de Janeiro.“Muita gente está investigada pela Polícia Federal e teve que desistir de candidatura ou foi presa. Isso é preocupante para a campanha de Flávio”, afirmou.No Nordeste, o PT deve manter vantagem, mas a preocupação é com a diminuição da margem, necessária para compensar eventuais derrotas em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Segundo Rittner, o PT conta com candidatos menos competitivos em estados como Ceará e Bahia.Questão econômicaDo ponto de vista econômico, a analista de Economia Thais Herédia avaliou que o mercado financeiro deve começar a precificar os cenários eleitorais com mais intensidade. Ela destacou que nenhum dos campos apresentou, até o momento, compromissos claros com a economia.“O único que fala, mais ou menos, demonstrando uma vontade de fazer ajuste é o próprio Fernando Haddad, que sempre teve uma ponte aberta com o mercado financeiro, continua sendo ouvido, mas não necessariamente as pessoas levam a sério“, ressalvou Herédia.Ela também mencionou pesquisa da Paraná Pesquisas sobre candidaturas ao Senado no Distrito Federal, na qual Michelle Bolsonaro aparece em segundo lugar pelo PL, mesmo se recusando a se candidatar.A analista apontou que a composição das chapas ao Senado pode influenciar a atratividade dos partidos da direita para eventuais apoios no segundo turno.O analista de Política Caio Junqueira destacou que muitos partidos, principalmente do Centrão, estão optando por concentrar recursos nas campanhas para deputado e senador, em vez de apoiar candidatos ao Executivo. “Quem controla o recurso controla o poder”, afirmou. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.