Alemanha: 54% dos trabalhadores com salários altos ponderam emigrar

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A fuga de talento qualificado em Portugal é um tema recorrente do debate público, mas esta é também uma realidade noutros países da Europa. A Alemanha enfrenta um novo sinal de alerta no mercado de trabalho: dois terços dos trabalhadores inquiridos admitem ponderar um emprego fora do país, segundo um estudo encomendado pela plataforma de emprego Indeed.A tendência parece estar a ganhar força. De acordo com os dados da plataforma, o número de pesquisas por ofertas de trabalho internacionais mais do que duplicou desde 2020, com uma subida de 105%. Cerca de 30% dos participantes afirmam já ter procurado ativamente vagas no estrangeiro ou enviado candidaturas.O movimento é particularmente expressivo entre os trabalhadores com rendimentos mais elevados. Entre os inquiridos com um rendimento líquido mensal do agregado familiar de, pelo menos, 6.000 euros, 54% dizem ter apresentado candidaturas no estrangeiro ou sondado o mercado internacional nos últimos 12 meses. Talento quer sair por vários anos ou definitivamenteEntre os trabalhadores que consideram mudar-se para fora da Alemanha, a intenção não é apenas temporária. Segundo a Indeed, 77% admitem partir por vários anos ou de forma definitiva.As áreas mais procuradas incluem empregos de escritório, como marketing, mas também funções ligadas à tecnologia, hotelaria e logística. A mobilidade internacional é vista por muitos profissionais como uma oportunidade para melhorar condições de vida, rendimento e perspetivas pessoais.Salário e qualidade de vida pesam mais do que carreiraOs principais motivos para procurar trabalho no estrangeiro são a expectativa de melhor remuneração e de maior qualidade de vida, ambos apontados por cerca de 51% dos inquiridos. Seguem-se o desejo de viver num clima mais ameno e a possibilidade de beneficiar de uma carga fiscal e contributiva mais baixa, referidos por cerca de 42%.Já as oportunidades de carreira e progressão surgem com menor peso, sendo determinantes para 24% dos participantes. Carga fiscal é uma das principais críticasA perceção sobre impostos e contribuições sociais surge como um dos pontos mais sensíveis. Segundo os dados citados no estudo, 70% dos participantes consideram que a carga fiscal na Alemanha é demasiado elevada face ao rendimento e que o esforço individual no trabalho não é suficientemente recompensado.A estabilidade alemã continua, ainda assim, a ser valorizada. Cerca de 60% dos inquiridos apontam o contexto social como uma das maiores vantagens do país, seguindo-se a proteção laboral e o sistema de proteção social. Estados Unidos lideram destinos, mas perdem atratividadeEntre os destinos mais pesquisados, os Estados Unidos continuam a liderar, com 14,4% das pesquisas internacionais. No entanto, o interesse caiu 34% face ao ano anterior.O Reino Unido e a Suíça surgem logo a seguir, ambos com 13,6% das pesquisas. O Reino Unido ganhou atratividade, com um aumento de 38%, enquanto os Emirados Árabes Unidos e a Índia cresceram 24% cada. A Austrália também registou uma subida de 10%.Os dados surgem num momento em que a Alemanha continua a lidar com desafios demográficos e falta de mão de obra qualificada. Segundo o gabinete federal de estatística alemão, Destatis, em 2025 emigraram cerca de 97 mil alemães a mais do que aqueles que regressaram, o maior saldo negativo desde 2017. Entre pessoas sem nacionalidade alemã, porém, o país manteve um saldo migratório positivo superior a 200 mil pessoas.O conteúdo Alemanha: 54% dos trabalhadores com salários altos ponderam emigrar aparece primeiro em Revista Líder.