O comentarista da CNN Brasil José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na sexta-feira (24), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre a avaliação do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, de que a corte terá maioria para punir o instituto de pesquisa AtlasIntel.O caso envolve uma pesquisa publicada em junho que mostrou o presidente Lula com maior vantagem nas simulações de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.Em decisão liminar, Nunes Marques determinou a suspensão da veiculação da pesquisa após pedido do PL (Partido Liberal). O partido alega direcionamento de perguntas, especialmente diante da divulgação de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Leia Mais Nunes Marques avalia ter maioria no TSE para punir instituto de pesquisa TSE busca consenso para definir regras sobre pesquisas eleitorais TSE se reúne hoje com institutos de pesquisa para alinhar regras eleitorais Para Nunes Marques, há suspeitas de indução ao eleitor no questionário. O instituto negou qualquer procedimento irregular. A ação está agora no plenário do TSE.Cardozo pede cautela e critica pré-julgamentoO comentarista José Eduardo Cardozo defendeu que a análise do caso deve ser feita com rigor e imparcialidade.“Eu preciso ver com cuidado se houve uma indução mesmo”, afirmou, ressaltando que não teve acesso aos autos do processo nem à versão detalhada do instituto.Para ele, a decisão do TSE deve ser tomada após ouvir todas as partes e especialistas, sem passionalismo.“O que eu não posso jamais é prejulgar, especialmente tratando uma matéria dessa natureza com pessoas de ilibada reputação”, declarou.Cardozo também destacou que outros institutos de pesquisa confirmaram, posteriormente, tendências semelhantes às apontadas pela AtlasIntel, o que, segundo ele, exige que a eventual punição seja analisada com ainda mais cuidado.Ele alertou ainda para o risco de politizar a estatística: “Quando você começa a interferir nesta área além daquilo que é devido, você começa a atingir situações de direito de manifestação dos próprios institutos a fazerem seus estudos estatísticos”.Bortoletto vê falha metodológica na pesquisaJá o empresário Leonardo Bortoletto adotou posição distinta.Sem questionar a reputação geral do instituto, ele afirmou acreditar que a metodologia utilizada nessa pesquisa específica foi inadequada. Segundo ele, ao apresentar uma informação negativa exclusivamente sobre um dos candidatos antes de perguntar sobre intenção de voto, o instituto comprometeu a fidedignidade do resultado.“Quando eu adiciono uma informação única e exclusivamente a um dos candidatos e esta informação nitidamente é negativa e eu pergunto em quem você vai votar, é lógico que não é uma metodologia que vai fazer com que efetivamente o impacto da notícia verdadeiramente revele o seu resultado”, argumentou.Bortoletto apontou ainda que a pesquisa da AtlasIntel foi a que mostrou a maior queda de Flávio Bolsonaro em comparação com outros institutos que usaram metodologia similar. Para ele, isso é um indicativo de que o resultado foi distorcido.“Acredito que é um instituto sério, mas errou ao fazer desta prática dentro da sua metodologia. E modifica, sim, o resultado”, concluiu.Ainda assim, o empresário afirmou que o julgamento do TSE deve ser respeitado e que o debate em si fortalece a prática de pesquisa no país: “No final, todos os institutos que são sérios serão fortalecidos por um tema e um debate tão importante ser levado ao Tribunal Superior Eleitoral”. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.