Veja as linhas de ônibus com os maiores índices de reclamações em BH

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Belo Horizonte – Três linhas de ônibus da capital mineira estão consistentemente entre as que apresentam os maiores índices de reclamações dos usuários. As linhas 6031 (Cidade Administrativa/Centro), 6030 (Cidade Administrativa/Savassi via Hospitais) e 5107 (Estação Pampulha/Savassi) são as que registram mais reclamações em 2026 quando desconsiderados dois casos atípicos: uma linha especial, que fez apenas 12 viagens, e outra extinta em 2025.Dados obtidos pelo Metrópoles junto à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) mostram que atrasos, motoristas que passam direto pelos pontos, veículos mal conservados, ar-condicionado sem funcionar e longos períodos de espera estão entre as principais queixas dos passageiros.O levantamento considera a proporção de reclamações para cada mil viagens realizadas entre janeiro e maio. Portanto, a lista não representa o número absoluto de queixas recebidas por cada linha.Nesse período, mais de 107,7 milhões de passageiros utilizaram o transporte coletivo da capital, que cobra a segunda tarifa de ônibus mais cara entre as capitais brasileiras: R$ 6,25.Linha 5107, de BH, está entre as que mais recebem reclamações.Entenda o rankingOs dados consideram as reclamações registradas oficialmente pelos usuários nos canais da (PBH), como o Portal de Serviços, o aplicativo PBH APP, o WhatsApp da Prefeitura e a Central 156. O ranking é elaborado com base na proporção de reclamações em relação ao número de viagens realizadas, projetando o índice para cada mil viagens.Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas, em média, pouco mais de cinco reclamações para cada mil viagens de ônibus realizadas, segundo a prefeitura. Leia também Minas GeraisJustiça suspende propaganda de bets em ônibus de BH Minas GeraisIncêndio atinge ferro-velho com desmanche de ônibus na Grande BH Minas GeraisDefensoria quer retirada de anúncios de bets dos ônibus de BH Minas GeraisBH registra 2,6 mil acidentes com ciclistas enquanto debate ciclovia Linha especial e linha extintaAs linhas 55 (Eventos Pampulha/Centro/Savassi), 1030 (Avenida), que ocupam os dois primeiros lugares, merecem ressalva. A linha 55 é uma linha especial, utilizada apenas para atender grandes eventos.A linha, que faz desembarques na Estação UFMG, na Praça Sete, no Centro, e na Praça da Savassi, na região Centro-Sul, é acionada quando há previsão de grande público em locais como o Mineirão e o Mineirinho. Neste ano, por exemplo, a linha foi utilizada durante a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, no evento Arena Nº 1, realizado no Mineirinho, quando os ônibus passaram a circular após o fim da programação para transportar os torcedores.No período analisado, realizou apenas 12 viagens e recebeu uma reclamação. Como o indicador é projetado para mil viagens, esse único registro elevou matematicamente o índice para 83,3 reclamações por mil viagens, colocando a linha entre as mais reclamadas.A linha 1030 (Avenida) foi extinta em 21 de maio de 2025 e substituída pela linha 104 (Estação Lagoinha/Avenida). A nova linha manteve o mesmo itinerário e os mesmos pontos de embarque e desembarque, mas passou a cobrar uma tarifa menor, de R$ 6,00, em vez dos R$ 6,25 da antiga linha.Linha 6030, de BH, está entre as que mais recebem reclamações.Problemas do dia-a-diaDessa forma, desconsiderando esses dois casos atípicos,  6031 (Cidade Administrativa / Centro), 6030 (Cidade Administrativa/ Savassi via Hospitais) e 5107 (Pampulha/ Savassi), são, na prática, as que apresentam os maiores índices de reclamações entre as linhas em operação. Todas operadas pela mesma empresa: Consórcio Pampulha.A linha 6031 (Cidade Administrativa/Centro) integra o sistema MOVE e liga a Cidade Administrativa ao Centro de Belo Horizonte, passando pelas avenidas Dom Pedro I e Presidente Antônio Carlos, além da região da Rodoviária.A 6030 (Cidade Administrativa/Savassi via Hospitais) também integra o MOVE e conecta a Cidade Administrativa à Savassi, circulando pela pela Cristiano Machado e pela região hospitalar da capital.Já a 5107 (Estação Pampulha/Savassi) liga a Estação Pampulha à Savassi, passando pelas avenidas Presidente Antônio Carlos, Afonso Pena e Cristóvão Colombo.As piores do ano passadoAs linhas 6030, 6031 e 5107 também figuraram entre as que apresentaram mais reclamações em 2025, o que indica que os problemas continuam.Além dessas três linhas, o ranking também incluiu a SC02B (Savassi / Praça 7 via Santa Casa e Praça da Liberdade) e a 66 (Estação Vilarinho/Centro/Hospitais/Via Cristiano Machado).As principais queixas foram, também, relacionadas a atrasos, ônibus que não paravam nos pontos, falhas no funcionamento do ar-condicionado, más condições de conservação dos veículos e comportamento inadequado dos motoristas.AutuaçõesA PBH informou, por meio de nota, que vem adotando uma série de medidas para melhorar a qualidade do transporte coletivo. Entre elas estão a fiscalização permanente, renovação da frota, ampliação e ajustes na oferta de viagens e itinerários, implantação de novos programas, investimentos em infraestrutura e monitoramento diário da operação.Segundo a administração municipal, o resultado desse trabalho pode ser observado na redução das reclamações dos usuários. Em 2025, foram registradas 5,4 reclamações a cada mil viagens. Entre janeiro e maio de 2026, esse índice caiu para 5,2.A prefeitura afirmou ainda que, além de cobrar o cumprimento dos contratos pelas concessionárias, acompanha diariamente o funcionamento do sistema. Entre 1º de janeiro de 2025 e 15 de junho de 2026, foram emitidas 64.042 autuações relacionadas à prestação do serviço de transporte coletivo por ônibus.“As manifestações registradas pelos usuários são fundamentais para o aperfeiçoamento contínuo do sistema. Elas orientam as ações de fiscalização, subsidiam a adoção de medidas corretivas e contribuem para que a Prefeitura continue promovendo melhorias no transporte coletivo da capital”, informou a PBH.Linha 6031, de BH, está entre as que mais recebem reclamações.O que diz a empresa dos ônibusO  Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), que representa o Consórcio Pampulha, citado na reportagem como a responsável pelas três linhas com maiores reclamações,  entende as reclamações dos passageiros e reconhece que a regularidade e a qualidade do transporte coletivo são fundamentais para quem depende do ônibus no dia a dia.“As empresas acompanham continuamente a operação das linhas e trabalham em conjunto com a PBH para identificar necessidades de ajustes, considerando o comportamento da demanda e as condições de circulação na cidade. O objetivo é buscar melhorias constantes e reduzir os impactos que afetam a experiência dos usuários”, disse.Todas as manifestações registradas pelos canais oficiais são analisadas e contribuem para a avaliação da operação e para a adoção de medidas quando necessárias. “Para facilitar a apuração, é importante que o passageiro informe a linha, a data, o horário e o número do veículo”, acrescentou.O SetraBH também destaca que a renovação da frota continua em andamento, com a incorporação de novos ônibus.