Gustavo Gayer: “Lula cavou o tarifaço contra o Brasil”

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O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) conversou com a coluna Entrelinhas e com o programa Sem Rodeios logo após se reunir com o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e com o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto. Além de opinar sobre qual seria o melhor perfil para candidato a vice de Flávio, Gayer comentou sobre a relação do governo Lula com o "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e apostou que o tema que deverá pautar as eleições de 2026 será a alta dos preços nos mercados.Entrelinhas: As recentes declarações do governo dos Estados Unidos e o chamado "tarifaço" mudam a relação entre Brasil e Estados Unidos? O senhor considera que essa crise poderia ter sido evitada?Gayer: Sim. O Lula cavou essa falta contra o Brasil. Ele não sentou à mesa de negociação para defender o Brasil contra o tarifaço. Apenas usou isso como narrativa. A intenção dele sempre foi que o tarifaço fosse imposto ao nosso país para depois explorar politicamente essa situação.Entrelinhas: Como o senhor interpreta as manifestações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre a América Latina?Gayer: É curioso porque o Lula diz que é o defensor da democracia, mas todos os líderes com quem ele se relaciona estão dando golpes nos seus próprios países. Os Estados Unidos estão mostrando, escancarando, o que eu considero a perversidade de líderes da esquerda na América Latina. Essa também será uma disputa de narrativa daqui para frente.Entrelinhas: O senhor atribui essa situação à incompetência ou a uma estratégia do governo?Gayer: Para mim, isso não é um equívoco. É um projeto do governo Lula de levar o povo cada vez mais à miséria, porque eles têm um cálculo muito simples: quanto mais miserável a população, mais fácil manipular o voto. É o que eles fizeram no Nordeste e é o projeto que têm para o Brasil inteiro. Colocam o povo na miséria, com baixo nível de instrução e sem conhecimento político, para depois culpar um agente externo ou os opositores políticos. Com o povo na miséria, o voto fica mais barato.Entrelinhas: O impeachment de ministros do Supremo deve ser uma pauta central das campanhas de Oposição?Gayer: Existe uma compreensão generalizada de que esse é um clamor nacional. Pesquisas mostram que uma parcela significativa da população pretende votar em candidatos ao Senado comprometidos com o impeachment de ministros do STF e com o enfrentamento do que chamam de ditadura do Judiciário.Entrelinhas: Como o senhor vê as disputas por espaço na direita?Gayer: A missão das nossas vidas agora é derrubar o Lula. O foco é nos unir. Vai haver ataques entre os supostos candidatos da direita, mas vamos precisar de cada um ou dois por cento que eles tenham no segundo turno. Ronaldo Caiado teve uma história muito relevante em Goiás. Discordo de boa parte do que ele tem falado, mas são pessoas que serão importantes para nós no segundo turno. Falando com Flávio hoje, destacamos que o momento agora é de união contra a esquerda.Entrelinhas: Um dos temas que mais repercutem é o aumento do custo de vida. Essa deve ser uma pauta prioritária da campanha anti-Lula?Gayer: O Flávio Bolsonaro está se colocando na posição do brasileiro comum, aquele que vai ao supermercado e se sente ultrajado quando não consegue comprar nem metade do que comprava em 2021 e 2022. Essa é uma pauta que fala com todos, independentemente do posicionamento político.Falei para ele que outro assunto que temos que tratar é a deflação. Muitas pessoas não percebem o aumento dos preços porque as empresas mantêm o valor, mas reduzem a quantidade do produto. Um pacote de bolacha hoje tem menos bolachas do que tinha há dois anos. A barra de chocolate é a mesma coisa. Tem também produtos que agora são "sabor chocolate", reduzindo o cacau para manter o preço. Hoje você compra um produto que antes vinha com um litro e agora vem com 750 ml, mas pagando praticamente o mesmo valor. E todos estão sentindo no bolso.Entrelinhas: O senhor acredita que essa percepção já está produzindo efeitos eleitorais?Gayer: As pessoas mais pobres sentem diretamente o impacto do preço dos alimentos. Esse público está preocupado com a sobrevivência, não com direita ou esquerda. O Lula está perdendo apoio justamente na sua principal base eleitoral, porque essas pessoas estão percebendo o impacto da inflação.Entrelinhas: O senhor afirma que a direita enfrenta uma disputa desigual na comunicação. Por quê?Gayer: Nós estamos em desvantagem porque lutamos contra uma máquina inescrupulosa. As maiores agências estão na mão do governo, e o marqueteiro do Lula é o próprio ministro da Comunicação, que controla o financiamento da imprensa. Graças a Deus, somos maioria e temos mais conhecimento nas redes sociais, o que ajuda a equilibrar essa disputa.Entrelinhas: O senhor também voltou a falar sobre uma suposta rede de perfis falsos. O que há de novo nesse caso?Gayer: O governo usa perfis falsos, gastando cerca de R$ 200 mil cada, numa rede que a gente está descobrindo agora. Isso foi levado ao TSE, numa agenda com o ministro André Mendonça, para que seja feita uma investigação. E eu fico curioso porque o Alexandre de Moraes, que dizia combater milícias digitais, está em completo silêncio diante dessa descoberta. O PT já está desesperado, tentando descobrir quem fez isso. É uma batalha diária contra uma narrativa atrás da outra.Entrelinhas: Quem deve compor a chapa com Flávio?Gayer: Conversei com Valdemar e Flávio sobre isso, e acho que deveríamos trazer alguém mais ao Centro, até como sinalização a esse voto ali ao meio, que vai decidir as eleições neste ano. Uma vice de Republicanos ou Progressistas poderia ser fundamental. De acordo com Valdemar, a Tereza Cristina não deu um "não" definitivo, apenas demonstrou a intenção dela na presidência do Senado, mas ainda há possibilidade de ela aceitar. Seria muito bom. Uma mulher com relevância no Nordeste também poderia ser muito importante, ou de Minas Gerais, onde as eleições costumam se equiparar ao cenário nacional.VEJA TAMBÉM:Entrevista com dr. Cláudio Caivano