A China acusou empresas americanas de inteligência artificial9 de usar modelos chineses em processos de treinamento. O caso envolve a técnica de destilação de modelos e aumentou a tensão entre os dois países na corrida pelo domínio da IA.Segundo a Reuters, autoridades dos EUA também investigam companhias chinesas por suposto uso indevido de tecnologias americanas, colocando propriedade intelectual no centro do debate.A técnica de destilação de IA virou o centro de uma disputa entre duas potências da tecnologia mundial. Imagem: WANAN YOSSINGKUM/iStockDestilação de IA vira motivo de acusações entre paísesA destilação de modelos é uma técnica usada no desenvolvimento de inteligência artificial para transferir conhecimentos de um sistema mais avançado para outro mais leve e eficiente.O Ministério do Comércio chinês afirmou que empresas dos Estados Unidos teriam usado esse método para obter conhecimento de modelos chineses durante etapas de pesquisa e treinamento.Do outro lado, autoridades americanas alegam que algumas empresas chinesas podem ter ultrapassado o uso considerado legítimo da tecnologia e utilizado o processo para reproduzir capacidades de modelos desenvolvidos nos EUA.Entre os principais pontos do conflito estão:O limite entre aprendizado de máquina e cópia tecnológica;A proteção de propriedade intelectual em sistemas de IA;O uso de modelos abertos no desenvolvimento de novas ferramentas;Possíveis restrições comerciais envolvendo tecnologia.A discussão ganhou força após o lançamento do modelo Kimi K3, da startup chinesa Moonshot AI, que chamou atenção pelo desempenho em tarefas de programação.A Moonshot AI entrou no centro da polêmica após o desempenho do modelo Kimi K3 chamar atenção. – Imagem: Robert Way/ShutterstockMoonshot AI está no centro da polêmicaSegundo a Reuters, Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, afirmou que os Estados Unidos tinham informações indicando que a Moonshot teria usado destilação do modelo Claude Fable 5, da Anthropic, para desenvolver o Kimi K3.Kratsios também disse que a empresa teria criado uma plataforma interna para realizar processos de destilação em grande escala e utilizado diferentes métodos de acesso para evitar identificação.A Moonshot negou as acusações. Ao jornal chinês National Business Daily, a companhia afirmou que os avanços do Kimi K3 vieram de mudanças próprias na arquitetura do sistema, e não da reprodução de tecnologia americana.O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que empresas chinesas poderiam enfrentar sanções ou inclusão na Entity List, mecanismo que limita o acesso a tecnologias americanas.“Open source não é uma temporada aberta para propriedade intelectual americana”, escreveu Bessent.Dados, códigos e modelos de IA: os novos elementos da disputa tecnológica entre China e EUA. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar DigitalDisputa mostra nova fase da corrida pela IAO governo chinês respondeu que tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses caso empresas do país sejam prejudicadas.Leia mais:Vale do Silício entra em “guerra” por causa da IA chinesaEUA acusam empresa chinesa de IA de “roubar” tecnologia da AnthropicDisputa por IA ameaça acordo de segurança entre EUA e ChinaA Reuters informou ainda que a Anthropic identificou mais de 3,4 milhões de interações com seus modelos relacionadas à Moonshot. Segundo a empresa, centenas de contas fraudulentas teriam sido usadas para acessar recursos como programação, análise de dados e uso de ferramentas.O caso mostra que a disputa pela inteligência artificial deixou de envolver apenas quem cria os modelos mais avançados. Agora, treinamento, infraestrutura, dados e proteção tecnológica também fazem parte da competição entre China e Estados Unidos.O post Corrida da IA vira batalha com acusações de roubo entre China e EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.