Os Estados Unidos podem fazer ataques no Mali contra o JNIM (Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin), um grupo afiliado à Al Qaeda.Segundo apuração do Washington Post, o tema causa divergências dentro do governo de Donald Trump, mas ainda é avaliado internamente.O JNIM também é considerado, desde 2018, um grupo terrorista pelos Estados Unidos. Atualmente, está por trás de grandes ataques na região do Sahel, principalmente no Mali. Leia Mais EUA realizam novos ataques contra alvos do Estado Islâmico na Nigéria EUA postam vídeo de ataque contra combatentes do Estado Islâmico na Nigéria Ataques conjuntos dos EUA e Nigéria mataram 175 membros do Estado Islâmico Grupo considerado terrorista pelos EUAO JNIM foi criado em 2 de março de 2017, segundo um anúncio do líder do grupo, Iyad Ag Ghali, em discurso transmitido pela agência Al Zalaqa. Ghali é considerado terrorista pelos EUA desde 2013.Ele foi formado com a fusão dos grupos Ansar al-Din, al-Murabitun, Frente de Libertação de Macina e o subgrupo “Emirado do Saara” da al-Qaeda no Magrebe Islâmico, segundo o Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA.O JNIM busca estabelecer um Estado islâmico salafista na África Ocidental e expulsar influências ocidentais da região, ainda de acordo com o governo americano.O grupo se descreve como o braço oficial da Al-Qaeda no Mali e possui alianças com outras organizações.Ele atua principalmente no Mali e em Burkina Faso, mas também opera em partes do Níger, da Nigéria e da costa da África Ocidental.JNIM possui milhares de combatentesO JNIM possui ao menos 6.000 integrantes e sua estratégia consiste em expandir sua presença por toda a África Ocidental.O Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA destaca que, ao mesmo tempo em que treina combatentes, o grupo “conquista a simpatia das comunidades locais fornecendo-lhes recursos materiais e firmando acordos”.Como o JNIM é financiado?O financiamento do Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin provém de resgates de reféns, cobrança de taxas de populações da região, contrabando de armas e extorsão de traficantes de pessoas e de drogas, de acordo com o Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA.Segundo grupo mais letal do mundoO JNIM foi o segundo grupo terrorista mais letal do mundo em 2025, sendo responsável por mais de 1.270 mortes em quatro países, segundo o Instituto para Economia e Paz.Também foi o segundo ano seguido que o grupo foi responsável por mais de mil mortes.Os EUA destacam que ele já realizou diversos ataques contra militares do Mali, contra a Força Conjunta do Grupo dos Cinco para o Sahel, a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali e forças da França.O Centro Nacional de Terrorismo destacou algumas das ações do JNIM, como uma operação armada contra o complexo turístico “Le Campement Kangaba”, próximo à capital do Mali, Bamako, em junho de 2017.Em abril de 2018, o grupo atacou uma base da ONU com morteiros e foguetes, resultando na morte de um integrante das forças de paz e 17 feridos. Na ocasião, os combatentes estavam disfarçados de tropas de paz das Nações Unidas.Em agosto de 2024, ao menos 130 civis foram mortos e outros 200 foram feridos pelo JNIM na cidade de Barsalogho, província de Sanmatenga.Em maio de 2025, integrantes do JNIM tomaram o controle da capital regional no norte de Burkina Faso por cerca de 9 horas e mataram dezenas de soldados e civis.Em 26 de setembro do ano passado, o grupo filiado à Al Qaeda sequestrou um integrante da família real dos Emirados Árabes Unidos perto de Bamako, no Mali. Ele foi libertado mediante pagamento de um resgate.No final de 2025, o JNIM anunciou um bloqueio às importações de combustível e atacou comboios de caminhões-tanque em todo o Mali, praticamente paralisando a capital em alguns momentos.E, em 2026, ele também fez incursões na capital Bamako, tomou uma cidade estratégica no norte e matou o ministro da Defesa maliano em um atentado suicida.Hamas, Al Qaeda, PCC e CV: organizações que EUA consideram terroristas