Geração Z tem menor crescimento de emprego entre mulheres, diz estudo

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As mulheres da Geração Z têm apresentado crescimento de emprego mais fraco do que os homens da mesma faixa etária nos EUA, segundo novos dados do Painel de Indicadores Canários, projeto conjunto da Universidade Stanford e da ADP Research. A análise indica que a inteligência artificial (IA) generativa não explica a maior parte dessa diferença, apesar de as mulheres estarem mais concentradas em ocupações consideradas mais expostas à tecnologia.O estudo acompanha 4,6 milhões de trabalhadores distribuídos em mais de 730 ocupações e analisa, mês a mês, como a IA vem afetando as contratações de nível inicial desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022. Os pesquisadores Erik Brynjolfsson e Nela Richardson observaram que profissionais de 22 a 25 anos em áreas como desenvolvimento de software e atendimento ao cliente registram desaceleração contínua no crescimento do emprego, enquanto o mercado de trabalho americano, no conjunto, continua em expansão.Pela primeira vez, o painel traz um recorte detalhado por gênero. Os dados mostram que 43,8% das mulheres jovens trabalham no grupo de ocupações mais exposto à IA, ante 32,4% dos homens. No segundo grupo mais exposto, a participação feminina é de 21,2%, contra 18,1% da masculina. A concentração em funções de escritório e administrativas ajuda a explicar essa distribuição.Diferença aparece também em empregos pouco afetados pela IAQuando os pesquisadores isolaram o efeito da exposição à IA, porém, a relação deixou de ser significativa. No grupo de ocupações menos exposto à tecnologia, o emprego entre mulheres de 22 a 25 anos cresceu 1,3% ao ano desde o fim de 2022, enquanto entre os homens o avanço foi de 2,7%. Já no grupo mais exposto, o emprego feminino caiu 4,5% ao ano, contra recuo de 2,5% entre os homens.“Essas lacunas são uma característica da nossa amostra mais ampla; elas não estão visivelmente correlacionadas com a exposição à IA”, escreveram os pesquisadores em documento compartilhado com a revista Fortune. Segundo a equipe, as diferenças observadas decorrem principalmente da composição ocupacional, isto é, do fato de homens e mulheres estarem distribuídos de maneira diferente entre os setores, e não de um impacto distinto da IA dentro das mesmas profissões.A equipe afirma ter testado outras hipóteses, como mudanças nas taxas de juros, expansão do trabalho remoto e híbrido, nível de escolaridade, exclusão do setor de tecnologia e inclusão de trabalhadores temporários e de meio período. Nenhum desses fatores, segundo os autores, explicou integralmente a desaceleração do emprego entre os jovens. “Isso não prova que a IA esteja causando essas tendências, mas acreditamos que sejam fatos importantes a serem documentados”, afirmou Bharat Chandar, pesquisador do projeto, à Fortune.Os pesquisadores argumentam que a IA vem transformando tarefas antes de transformar empregos inteiros, afetando principalmente atividades mecânicas e repetitivas frequentemente atribuídas a profissionais em início de carreira. A maior presença de mulheres em ocupações com esse perfil aumenta sua exposição à mudança tecnológica, mas, segundo o estudo, como consequência de uma segregação ocupacional anterior à IA generativa. O que explica o crescimento mais lento do emprego feminino em todos os setores, concluem os autores, ainda é uma questão em aberto para pesquisas futuras.