A ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-chair do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, considera que os dirigentes do banco central dos EUA já estão prontos para aumentar os juros norte-americanos, caso a nova rodada de tensões no Oriente Médio siga pressionando os preços de energia.Segundo Yellen, o BC norte-americano segue avaliando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio na condução da política monetária. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (23), durante participação na Expert XP, em São Paulo.Na avaliação da ex-presidente do Fed, a postura dos bancos centrais hoje é diferente daquela adotada na crise de 2008, quando a inflação caiu e o desemprego saltou para perto de dois dígitos, o que levou os juros para perto de zero. Atualmente, de acordo com Yellen, os BCs, incluindo o Fed, tentam reduzir a inflação.Para ela, houve dificuldade para estimular a economia após décadas de taxas de juros em queda, até antes da crise de 2008, o que reduziu o espaço para estímulos econômicos convencionais e fez com que o Fed buscasse outras alternativas.Segundo a ex-secretária do Tesouro dos EUA, a pandemia foi um fator que mudou tudo ao juntar choque de oferta com uma alteração no padrão de consumo, em que as famílias reduziram os gastos com serviços e aumentaram a demanda por bens.Fed sob WarshYellen vê como natural que o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reveja alguns pontos na comunicação do BC norte-americano.A ex-presidente do Fed também considera positiva a crição de forças-tarefa formadas por especialistas externos para auxiliar com uma revisão dos temas. A implementação dos grupos, que serão compostos por especialistas respeitados, pode contribuir para uma maior credibilidade do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) tanto internamente quanto externamente.No entanto, Yellen avalia que o impacto das mudanças na tomada de decisão não deve ser imediato. “Talvez haja algumas mudanças que tornem a comunicação mais efetiva”, disse.