A tentativa da Austrália de se tornar, ao mesmo tempo, uma superpotência em energia renovável e uma grande exportadora de combustíveis fósseis está colocando em risco seu futuro econômico, segundo um novo relatório do WWF-Austrália.O relatório alerta que a estratégia australiana de conciliar esses dois modelos de exportação de energia está enviando sinais contraditórios a investidores e parceiros comerciais, justamente no momento em que países de toda a região do Indo-Pacífico aceleram os investimentos em sistemas de energia limpa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.Uma análise elaborada pela Cyan Ventures estima que a Austrália pode perder até A$ 70 bilhões em valor de exportações de combustíveis fósseis até 2035, à medida que a demanda migra para as energias renováveis.Ainda assim, o relatório constata que os governos australianos continuam fornecendo cerca de A$ 20,1 bilhões por ano em apoio aos combustíveis fósseis, em comparação com A$ 4,6 bilhões destinados às energias renováveis.Foto: Julian Hacker | Pixabay“A Austrália está tentando seguir em duas direções ao mesmo tempo”, afirmou Rob Law, gerente sênior de Transição Energética do WWF-Austrália. “Isso envia sinais contraditórios aos investidores, enfraquece a credibilidade da Austrália como parceira comercial e abre espaço para que outros assumam a liderança”, completou.Parcerias ameaçadasGrandes parceiros comerciais da Austrália, como China e Coreia do Sul, estão investindo rapidamente em energia limpa para reduzir sua exposição aos choques nos preços dos combustíveis.Os investimentos em energia limpa no Indo-Pacífico são aproximadamente duas vezes maiores do que os investimentos em combustíveis fósseis. Leia também: 1.Relatório traça caminho global para longe dos combustíveis fósseis 2.Financiamento de adaptação equivale a um dia de subsídios a fósseis Ao mesmo tempo, o relatório alerta que o apoio contínuo da Austrália aos combustíveis fósseis está prejudicando os investimentos em setores do futuro, como o ferro verde. “As indústrias verdes e fósseis disputam o mesmo capital, a mesma atenção política e a mesma infraestrutura”, afirmou Law. “Além disso, as indústrias verdes dependem de eletricidade renovável de baixo custo e de sinais de preço de carbono confiáveis — dois elementos que são enfraquecidos quando a expansão dos combustíveis fósseis continua sendo uma prioridade.”Demanda em quedaO relatório conclui que a demanda pelas exportações australianas de combustíveis fósseis é cada vez mais incerta e pode diminuir mais rapidamente do que o previsto.As exportações australianas de gás natural liquefeito, assim como as importações asiáticas de GNL, caíram em 2025. A demanda por carvão metalúrgico e térmico na China, no Japão e na Índia também pode começar a diminuir nos próximos cinco anos e recuar em até 69% até 2050.Foto: Thijs Stoop | UnsplashCamille Malbrain, gerente de Exportações Renováveis do WWF-Austrália, afirmou que o país corre o risco de ficar para trás caso continue privilegiando os combustíveis fósseis em detrimento das energias renováveis. “Esta é uma estratégia em que todos perdem. A Austrália será ultrapassada e se tornará menos competitiva nas indústrias verdes emergentes, ao mesmo tempo em que continuará presa a mercados de combustíveis fósseis cada vez mais incertos”, afirmou.O relatório defende que a Austrália adote uma estratégia de segurança energética renovável que:estabeleça uma estratégia ante o declínio inevitável dos combustíveis fósseis;construa e acelere os sistemas de energia renovável e eletrificada necessários para substituí-los;redirecione políticas e investimentos para uma transição planejada e economicamente benéfica.“A prosperidade da Austrália depende de abraçar as indústrias energéticas do futuro, e não de insistir nas indústrias do passado”, conclui Malbrain. Leia também: 1.Uso de renováveis supera não renováveis pela 1ª vez em 35 anos 2.Triplicar renováveis até 2030 é crucial para manter a meta de 1,5˚C The post Austrália investe quatro vezes mais em fósseis do que em renováveis appeared first on CicloVivo.