A Petrobras (PETR4) segue vendendo diesel e gasolina abaixo dos preços de paridade de importação (PPI), o que mantém fechada a janela para importações de combustíveis. Para o BTG Pactual, esse cenário abre espaço para reajustes nos preços praticados pela estatal ou para um aumento das subvenções do governo, enquanto a companhia mantém margens de refino consideradas robustas.Em relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o banco estima que o diesel é vendido com desconto de cerca de 47% em relação ao PPI, percentual que cai para aproximadamente 28% quando considerada a subvenção de R$ 1,12 por litro. No caso da gasolina, o desconto é de 37% frente ao preço de paridade e de cerca de 27% após a inclusão da subvenção de R$ 0,44 por litro.Segundo os analistas, esses descontos mantêm a janela de importação fechada para diesel e gasolina, restringindo as compras externas a operações pontuais ou em regiões específicas.O BTG destaca ainda que a Acelen reajustou nesta quinta-feira os preços do diesel em 8%, para R$ 5,48 por litro, e da gasolina em cerca de 5%, para R$ 3,88 por litro, acompanhando a alta dos preços internacionais e dos custos de insumos. Além disso, dados da Argus e da Platts mostram que o diesel importado está sendo ofertado nos portos brasileiros entre R$ 2,10 e R$ 2,20 por litro acima dos preços de refinaria da Petrobras, embora a demanda das distribuidoras permaneça limitada pela volatilidade recente.Negócio rentável Apesar de praticar preços abaixo da paridade, o banco avalia que a Petrobras continua sustentando um negócio de refino rentável. A média móvel de 45 dias do crack spread do diesel está em cerca de US$ 62 por barril, enquanto a da gasolina gira em torno de US$ 18 por barril.Na visão do BTG, a estatal poderia capturar uma rentabilidade maior caso aproximasse seus preços da paridade de importação. Por isso, os analistas avaliam que há espaço tanto para reajustes nos combustíveis quanto para um aumento das subvenções governamentais.O banco manteve visão positiva para a Petrobras, citando a perspectiva de resultados sustentada pelas margens de refino. O BTG também segue construtivo com as distribuidoras de combustíveis para o terceiro trimestre de 2026, diante da expectativa de que Ipiranga, da Ultrapar (UGPA3), e Vibra (VBBR3) continuem tendo acesso a combustíveis da Petrobras a preços considerados atrativos.