Alfredo Menezes, presidente e diretor de investimentos da Armor Capital, acredita que “em momento de crise é quando se dá a grande virada na vida.” Para ele, as maiores oportunidades do mercado nascem justamente nos períodos de pânico, quando a maioria só enxerga risco.Com 64 anos e mais de quatro décadas de mercado, Menezes foi o convidado do programa Stock Pickers, comandado por Lucas Collazo. Ao apresentador, explicou por que prefere apostar em poucas frentes a se espalhar por dezenas de ativos. “Se eu quiser operar 30 ativos, eu vou ser um mediano em tudo, vou perder dinheiro”, justificou. Como gestora, a Armor opta por concentrar-se em cerca de 10 papéis, aposta que considera decisiva para tentar se sobressair.Veja mais: Inflação deve prevalecer sem ajuste fiscal, sinaliza gestora de R$ 3 bilhõesA “cozinha” dos bancos e a lição de câmbioA principal vantagem, diz o gestor, vem de ter vivido por dentro das instituições financeiras. Enquanto muitos analistas olham só a margem obtida com clientes, ele acompanha também os ganhos com o mercado e a forma como os bancos registram seus títulos na contabilidade, um detalhe que costuma escapar de quem vê o setor de fora. É o olhar de quem passou anos na mesa de operações e conhece os bastidores.Outra frente pouco comum é o acompanhamento minucioso do câmbio. A Armor monitora os 30 maiores exportadores do país e analisa, balanço a balanço, quanto de caixa cada empresa gera dentro e fora do Brasil. “A gente faz uma lição de câmbio muito pesada”, contou. Para ele, esse esforço de pesquisa é o que sustenta a estratégia enxuta da casa e ajuda a antecipar movimentos que muitos concorrentes só percebem depois.E também: A vantagem tributária que ajuda a explicar o avanço dos ETFs de renda fixa no BrasilDo Family Office à gestora e o legadoAposentado como diretor do Bradesco, após uma carreira de mais de 40 anos no mercado financeiro, Menezes diz que o que o mantém na ativa é o prazer de operar e o convívio com profissionais mais jovens. “Devem ter passado uns 300 operadores comigo”, lembrou, recordando a origem em uma família humilde.A Armor nasceu de um escritório que cuidava do patrimônio de uma única família, tocado por ele durante cinco anos antes de virar gestora. Agora, planeja lançar mais dois produtos até o fim do ano, por acreditar que casas de um só produto não sobrevivem no longo prazo.Leia tambémIA amplia margem e produtividade, mas inflação segue como maior risco, dizem gestoresEm painel na Expert 2026, gestores comentaram sobre oportunidades de investimentos geradas pela IA e como capturar os benefíciosO legado, afirma, ainda está em construção. Quer perpetuar a empresa, escrever um livro sobre o mercado e seguir apoiando entidades sociais. “O dinheiro também não é só para te servir, tem que servir à sociedade um pouco”, disse. Seu maior desejo, porém, é ver educação financeira nas escolas, defendendo que a matemática financeira entre no ensino médio. “As oportunidades hoje estão no mundo inteiro”, concluiu.The post “Em crise é que se dá a grande virada na vida”, diz gestor da Armor Capital appeared first on InfoMoney.